Descoberto esquema ilegal que fornecia carteiras de motorista a brasileiros

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Cammie Gray Andres (foto), funcionária pública, foi presa e autoridades descobriram que pelo menos cinco imigrantes foram beneficiados

Uma funcionária do ‘driver’s license bureau’ (escritório responsável pela emissão de carteiras de motoristas) em Miami foi presa no início de novembro por vender documentos a imigrantes brasileiros ilegais. Cammie Gray Andres, de 46 anos, ganhava pouco mais de dois mil dólares por mês de salário, mas seus rendimentos eram bem superiores a isso, graças ao negócio ilícito: de acordo com as autoridades, ela faturava cerca de três mil dólares em cada carteira vendida, sendo que policiais da Florida Highway Patrol garantem que nas últimas semanas ela forneceu documentação a pelo menos cinco pessoas. O número, porém, pode ser muito maior, segundo a oficial Marisela Fernandez.
“É assustador, pois se pensarmos que um imigrante pode pagar esse valor, o que dizer de possíveis terroristas”, afirmou a americana Margie Furtado, cujo marido, o brasileiro Alcemar Furtado, ‘comprou’ em 2004 uma carteira por dois mil e quinhentos dólares, por acreditar que o sistema funcionava assim. Naquela época ele estava em situação irregular. Os outros quatro brasileiros que obtiveram suas carteiras através deste esquema também já foram identificados. Eles são Rodrigo Braga, Vlademir Pedro, Eleiete Pedro e Daniel Gaspar. Com o documentos, os estrangeiros podem aplicar para trabalhos e cartões de crédito.
Cammie trabalhava desde 2000 naquela repartição pública. Através de um programa especial do governo, ela fornecia aos imigrantes carteiras de territórios livres associados aos Estados Unidos, como Porto Rico e Ilhas Virgens, usando números de Social Secutity falsos. O crime só foi descoberto porque funcionários de outro escritório de emissão dos documentos suspeitaram quando Alcemar Furtado foi renovar a sua habilitação. Cammie está presa no centro de detenção Turner Guilford Knight, sob fiança de 80 mil dólares e vai responder por crimes como emissão ilegal de documentos, conduta inapropriada e outros.
As investigações mostraram que o esquema era operado com a ajuda de um intermediário com trânsito na comunidade brasileiro, conhecido pelo apelido de ‘Chinea’. As autoridades não informaram o que vai acontecer com os brasileiros envolvidos no esquema, mas certamente todos, no mínimo, perderão suas licenças. “Mais uma vez a comunidade tem a prova de que atos ilícitos nunca são a melhor saída”, reforça o advogado Max Whitney.