Desistir, jamais

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Famílias de pessoas desaparecidas se recusam a abandonar as buscas pelos entes queridos

O drama da família do gaúcho Ivo Gilberto Tavares, de quem a família está há mais de três anos sem receber notícias, é compartilhado por vários membros da comunidade brasileira nos Estados Unidos. A irmã dele, Maria de Lourdes Tavares contou que recebeu telefonemas e mensagens de apoio de pessoas e isso tem ajudado a enfrentar o momento difícil. E é mais um caso de desaparecimento na Flórida, um dos estados recordistas neste tipo de crime, de acordo com o site www.someoneismissing.com. Mas desistir sem luta não está nos planos.

Ivo“Tento manter a calma e deixar a angústia longe, com muita fé”, disse Maria Lourdes, admitindo as dificuldades de enfrentar uma situação extrema como essa, especialmente para os pais de Ivo Gilberto, que já têm idade avançada. “É complicado ficar sem notícias de um ente querido. A violência é uma constante e, nestes momentos, pensamos em tudo”. No entanto, ela não está disposta a entregar os pontos e busca qualquer informação que possa ajudar a busca.

Uma das desconfianças da família é com relação à guerra no Iraque: “Soubemos de casos de latinos que foram contratados pelo exército americano para embarcar imediatamente em direção aos campos de batalha”. Ela, ao mesmo tempo em que pensa também em acidente de carrro, perda de memória e outras tragédias, torce para que o ditado de que ‘notícia ruim chega rápido’ seja verdadeiro no caso do irmão: “Acho que se tivesse acontecido algo mais sério com o Ivo Gilberto já teríamos sabido”.

Até que tudo seja esclarecido, Maria de Lourdes e a família têm usado a tecnologia a favor do principal objetivo deles: encontrar o brasileiro o mais rápido possível. “É incrível a quantidade de matérias produzidas sobre o desaparecimento do meu irmão. Estamos muito agradecidos à comunidade brasileira”, disse Maria de Lourdes. O último alento veio através de um telefonema de uma porto-riquenha, que se disse colega de trabalho e vizinha do rapaz: ele estaria bem de saúde e vivendo na Flórida, mas a suposta amiga não contou mais detalhes. “Acho que estamos perto de uma solução”, torce Maria de Lourdes.

bryanOutras famílias aqui mesmo no estado vivem a mesma angústia. Quem não se lembra do caso de Baby Brian, seqüestrado das mãos da mãe no dia 1º de dezembro de 2006, em Fort Myers? O crime prossegue sem solução, mas a família tem lidado com a tragédia de uma forma mais positiva, pois há quatro meses nasceu a primeira filha do casal. Da mesma forma, a mãe de uma estudante da Universidade da Flórida espera, por quase duas décadas, notícias sobre a jovem, então com 20 anos. Ninguém sabe se Tiffany Sessions, que tinha amigos brasileiros, está viva ou morta. O ponto comum entre os casos é que tanto a família Santos Gomes quanto os Sessions ou os Tavares não vão desistir enquanto não souberem do paradeiro de seus queridos.

Bebê brasileiro está desaparecido há 17 meses

A polícia de Fort Myers, na Flórida, não avançou no caso do bebê brasileiro Bryan dos Santos Gomes, seqüestrado dos braços da mãe no dia 1º de dezembro de 2006, quando tinha apenas 29 dias de vida. “Infelizmente não temos novidades sobre o assunto, mas há poucos dias investigamos uma dica dada por alguém da comunidade brasileira. O caso, definitivemente, está ativo”, garantiu a porta-voz da corporação, Shelly Flinn. Bryan é filho dos mineiros Jurandir Gomes da Costa e Maria de Fátima Ramos dos Santos, imigrantes indocumentados que estão no país há pouco mais de dois anos.

Os dois continuam morando no mesmo trailer, numa vizinhança modesta de Fort Myers, e estão tentando superar a tragédia: há quatro meses, Fátima deu à luz à sua primeira filha e isso tem ajudado o casal seguir com a vida. “Eles estão felizes com a chegada da neném, mas continuam buscando notícias de Bryan”, disse uma conhecida dos brasileiros, que freqüenta a mesma igreja. Jurandir, que trabalha na construção civil, está sempre nas lojas brasileiras da região e, vez ou outra, comenta sobre o caso, que ocupou o noticiário dos jornais e emissoras de televisão americanas por várias semanas naquela época.

De acordo com o relatório policial, Fátima contou que estava andando com seu filho nos braços junto com uma amiga e a filha desta, quando uma mulher em uma caminhonete preta parou e pediu informações, em espanhol. Fátima e a amiga concordaram em levar a mulher até o endereço procurado, mas chegando lá ela as ameaçou com uma faca, exigindo ficar com Bryan. Policiais acreditam que o crime foi cuidadosamente planejado, porque ela já tinha uma cadeira de bebê e um saco de fraldas dentro do carro.

Na época do seqüestro, foram distribuídos folhetos com a foto do menino por estabelecimentos de Fort Myers. As investigações apontaram que o caso poderia ter ligação com a dívida dos brasileiros com o esquema de entrada ilegal nos EUA – eles, inclusive, admitiram que deviam dinheiro aos ‘coiotes’. “Procuro não tocar no assunto com eles, até porque eles estão numa nova fase, curtindo muito a filhinha.
Mas dá para sentir que eles ainda acreditam que vão reencontrar o Bryan”, disse a amiga, que preferiu não se identificar.