Dilma Roussef só fará visita oficial aos EUA se Obama retirá-la de lista de espionados

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Encontro entre líderes será na Cúpula das Américas no Panamá nos próximos dias 10 e 11

DA REDAÇÃO (com Folha de S.Paulo) – A presidente Dilma Rousseff e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vão aproveitar a Cúpula das Américas, no Panamá, neste mês de abril, para finalmente acertar a visita de Estado da presidente a Washington. A expectativa é que a Casa Branca apresente a Dilma datas ainda este ano, no segundo semestre, ou no máximo no primeiro semestre de 2016 durante o encontro bilateral entre os dois presidentes, durante o encontro na cidade do Panamá nos dias 10 e 11 de abril.

A reunião foi acertada em meados de março, durante o telefonema do vice-presidente americano, Joe Biden, para a presidente. No último encontro entre os dois, durante a Cúpula do G20, na Austrália, o presidente americano confirmou o convite para que a presidente faça a visita, cancelada em 2013 depois da revelação do escândalo de espionagem da National Security Agency (NSA).

Entretanto, segundo reportagem do jornal ‘Folha de S.Paulo’, a presidente só fará a vista se o presidente dos EUA Barack Obama excluir o Brasil da lista de líderes estrangeiros espionados pela NSA, agência de segurança americana. Segundo negociadores, poderá ocorrer uma reunião bilateral ou uma conversa informal entre os compromissos durante a cúpula. Dilma só iniciará conversas acerca de sua visita à Casa Branca após o pedido ser atendido. A reportagem afirmou que Dilma teria ficado “fora de si” quando soube que ainda estaria sob vigilância.

Desde a reeleição da presidente, o governo brasileiro deixou claro que a reaproximação com os Estados Unidos era a prioridade da política externa. Desde o início deste ano, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira – ex-embaixador em Washington – já foi duas vezes à capital americana.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro Neto, fez dos Estados Unidos o seu primeiro destino internacional ao assumir o cargo. O ministério anunciou que os dois governos assinaram os primeiros memorandos de facilitação de comércio dos últimos dois anos, inclusive um acordo entre o Inmetro e sua contraparte americana para produção de guias sobre os sistemas regulatórios dos dois países.

Se a visita de Estado de Dilma a Washington se concretizar, será a primeira de um presidente brasileiro em 20 anos aos Estados Unidos. A última foi de Fernando Henrique Cardoso, em 1995. “O Brasil é um ator-chave no cenário mundial e visitas de alto nível são uma demonstração de que queremos investir para ter uma relação bilateral forte”, disseram fontes da Casa Branca, sem comentar qualquer data de um possível encontro entre Obama e Dilma.