‘Divulgações sobre acordo de imigração parecem prematuros’, diz Rubio

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Acordo entre patrões e empregados sobre este tema dá mais alento à aprovação da reforma imigratória

DA REDAÇÃO COM AP — Embora tenha sido superado um dos maiores obstáculos em relação a uma reforma imigratória, alguns legisladores advertiram no domingo (31) que, apesar do otimismo, não concluíram seus trabalhos sobre uma iniciativa que abra a possibilidade da cidadania para os 11 milhões de imigrantes sem autorização legal no país.

A central sindical AFL-CIO e a Câmara de Comércio dos Estados Unidos (empresarial) entraram em acordo na noite de sexta-feira (29) para que milhares de trabalhadores estrangeiros pouco qualificados possam vir ao país para cobrir as vagas nos setores de construção, hotéis, restaurantes e outras atividades.

As desavenças anteriores entre sindicatos e empregadores – ambos poderosos setores lobistas – eram marcadas pelos especialistas como o principal obstáculo para se alcançar um acordo legislativo sobre uma reforma imigratória.

No entanto, apesar deste acordo entre as partes, legisladores democratas e republicanos admitiram que as negociações não foram concluídas e ainda não há uma iniciativa de reforma imigratória a caminho no Congresso.

Pouco antes das apresentações dos legisladores em diversos programas dominicais, o senador republicano Marco Rubio, da Flórida, advertiu que não estava disposto a colocar seu nome nem sua influência política para um acordo sem examinar os detalhes. “São prematuras as versões de que o grupo bipartidário de oito senadores alcançou um acordo para uma proposta legislativa (de reforma imigratória)”, disse Rubio, um dos parlamentares que trabalham na iniciativa.

Rubio, cubano-americano, é figura proeminente dentro do Partido Republicano e possível aspirante à candidatura presidencial em 2016. Os legisladores estão esperando que Rubio dê sua aprovação a um acordo para a iniciativa embora a postura do senador demonstra pouco otimismo. Rubio, emissário do grupo perante os conservadores, descreveu o acordo como “um ponto de partida”, mas disse que ainda falta a participação de 92 senadores de 43 estados no processo.

Senadores precisam ratificar acordo

O acordo entre a maior central sindical do país e o poderoso grupo empresarial precisa da aprovação dos senadores, inclusive do republicano John McCain, do Arizona, cujos esforços anteriores para impulsioná-lo foram infrutíferos.

“Creio que vamos por um bom caminho. Mas como o senador Rubio disse corretamente, temos afirmado que não chegaremos a um acordo definitivo enquanto não examinarmos todo o texto legislativo e ele afirma corretamente que o texto não está totalmente elaborado”, disse Schumer.

O senador republicano Jeff Flake, do Arizona, destacou a importância do acordo entre empresas e sindicatos, mas acrescentou que nada ainda foi finalizado. “Este acordo não significa que tudo está resolvido”, afirmou Flake, integrante do grupo dos oito legisladores que trabalham no acordo.

O senador democrata Schumer contribuiu para o fechamento do acordo entre o presidente da AFL-CIO, Richard Trumka, e o titular da Câmara de Comércio, Tom Donohue.

De acordo com o compromisso entre estas partes, o governo poderá criar um novo visto “W” para trabalhadores imigrantes pouco qualificados que receberiam salários iguais aos dos americanos ou os pagamentos que prevalecem nos setores nos quais trabalhariam.

O Departamento de Trabalho poderá determinar o salário que prevalece para cada atividade com base nas médias habituais em localidades específicas, assim como aquelas pagas aos trabalhadores imigrantes que poderiam variar de cidade para cidade.

A medida proposta garantiria a segurança na fronteira, combateria os empregadores que contratassem imigrantes não autorizados, melhoraria o sistema de imigração e abriria uma via para que em 13 anos fosse possível requerer a cidadania para os milhões de imigrantes que vivem no país.

A reforma imigratória é uma das principais prioridades no segundo período de governo do presidente Barack Obama e incluiria as mudanças mais dramáticas efetuadas em duas décadas no sistema de imigração federal que tem acusado falhas. “Obama considera a reforma um legado. Não resta dúvida de que Obama deseja a aprovação de uma reforma imigratória integral”, disse David Axelrod, assessor político de longa data do presidente.

Até a semana passada um acordo sobre a reforma imigratória parecia destinado ao fracasso. No entanto, o avanço obtido entre empresas e sindicatos reativou as conversações.

O representante republicano Peter King, de Nova York, expressou seu ceticismo em relação às perspectivas de se conseguir um acordo. “Não basta que oito legisladores em uma sala digam que será garantida a segurança na fronteira” manifestou King, que não participa da elaboração da proposta bipartidária.

“As empresas e os sindicatos têm um acordo”, ratificou Schumer. “Com isto foi superado um obstáculo enorme”, finalizou.