Dúvidas cercam caso do baiano morto em Boca Raton

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Brasileira que disparou tiros se envolveu em situação semelhante há 14 anos. Marcia Rodrigues foi chamada de “paranóica” pelo ex-marido.

Uma checagem nos registros policiais mostrou que a brasileira Marcia Rodrigues – que no último domingo atirou e matou o baiano Ildo de Araújo, em legítima defesa, segundo ela – já havia se envolvido em situação semelhante: em 1993 ela também atacou um homem sob a alegação de que este tentara agarrá-la.

A morte do baiano aconteceu na casa de Marcia, onde Ildo estaria resolvendo os últimos detalhes de uma futura sociedade no ramo de limpeza de piscinas. Ele, que já havia feito um serviço naquela mesma residência anos atrás, tinha aberto sua própria empresa e buscava parcerias. Aos policiais, Marcia afirmou que atirou em legítima defesa, depois de Ildo ter abusado dela por mais de uma hora. “Eu tive medo de morrer”, contou a brasileira. Ela não foi acusada de qualquer crime.

Já a agressão ocorrida há mais de 14 anos foi contra Johnny Tremaine, então com 56 anos, que na época disse ele e Marcia eram amigos. Pelos registros policiais, os dois estavam no carro, quando a mulher perfurou o pescoço da vítima com uma lixa de unha (de metal), até sangrar. “De repente ela começou a me atacar”, lembra Tremaine. Na versão apresentada pela brasileira, o homem teria dito que queria forçá-la a fazer sexo com ele. As investigações não foram adiante porque ninguém quis prestar queixa na polícia.

Outro detalhe que chamou a atenção dos que acompanham o desenrolar dos fatos é que Marcia Rodrigues foi chamada pelo ex-marido de “paranóica”. Para Michael Berkowitz, de 50 anos e atualmente morando em Atlanta (Georgia), a brasileira muitas vezes apresentou um comportamento anormal nos 17 anos em que estiveram casados. “Sempre temi que ela pudesse fazer algo que pudesse machucar alguém. Eu tenho muita coisa para contar à polícia”, garantiu Berkowitz.

Ainda de acordo com os registros policiais, Marcia pediu proteção contra o ex-marido, pois acreditava que ele pudesse contratar alguém para matá-la. “Eu vivo com medo. Muitas vezes tenho pesadelos de que estou sendo assassinada a tiros dentro de minha casa e que o meu corpo só é encontrado depois de muito tempo”, revelou a brasileira, em entrevista logo após os tiros que mataram Ildo.

Por sua vez, familiares do baiano ainda estão perplexos. A irmã de Ildo, Zelda, está inconsolável, mas já decidiu que ele será enterrado no Brasil. Além da dor natural pela perda de um ente querido, os amigos lutam contra o que chamam de injustiça: “Ele era uma pessoa fantástica, que odiava a violência e sempre tratou todo mundo com respeito. Vamos pedir que a polícia apure tudo direitinho, pois não é justo que ele fique lembrado como um estuprador”, disse um colega próximo, que preferiu não se identificar.