E-Verify seria um desastre para agricultura dos Estados Unidos

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Empresários agrícolas advertem que sistema põe em risco colheitas e insistem na reforma imigratória

Os empresários agrícolas da Califórnia disseram no Congresso, em Washington (DC), que o E-Verify, a base federal de dados para verificar o status imigratório dos trabalhadores, seria um desastre para a agricultura do país. Em lugar dele, exigiram um programa que permita aos trabalhadores imigrantes obter autorização legal para trabalhar.

“Sem uma maneira econômica viável de assegurar mão de obra legal, o E-Verify seria um desastre para a agricultura americana, pois a experiência tem demonstrado que não há uma possibilidade realista de usar mão de obra doméstica, mesmo com as altas taxas atuais de desemprego”, disse o presidente do Bureau de Agricultores da Califórnia, Paul Wenger, ao opinar durante um debate sobre a Política de Imigração do Subcomitê Judicial da Câmara de Deputados.

O Congresso está considerando uma proposta que obrigará todos os empregadores a verificar o status de trabalho dos seus empregados mediante o E-Verify. Trata-se da proposta H.R. 2885, do representante republicano do Texas, Lamar Smith, o qual argumenta que ao tornar obrigatório o E-Verify para as empresas serão criados milhões de empregos para os trabalhadores americanos.

Mas, de acordo com Wenger, que representa 74 mil empresários agrícolas da Califórnia, isto não é possível, porque a mão de obra americana está ficando cada vez mais urbana e focada em empregos com horas de trabalho mais regulares durante todo o ano. Por isso, os trabalhadores americanos já não buscam mais emprego no campo.

Ele destacou que o programa de imigração existente para a agricultura, conhecido como H-2A, comprovou ser inadequado, pois menos de 5% da mão de obra agrícola é conseguida por esse método. “Apoiamos a H-2A, mas ela não pode ser a única solução”, disse Wenger.

O empresário acrescentou que qualquer solução tem de ser prática e permitir aos atuais trabalhadores, especialmente àqueles altamente qualificados, sair das sombras para fazer seu trabalho, tão importante para alimentar a nação e o mundo.

Reforma abrangente

A Califórnia emprega, durante a época de colheitas, cerca de 400 mil trabalhadores. O Sindicato dos Camponeses Unidos (UFW) estima que entre 70 e 80% são indocumentados. “Para nós, a única solução para a mão de obra camponesa é uma reforma imigratória para legalizar os que já estão aqui”, disse a sindicalista María Machuca.

Ela lamentou que a Ata de Segurança, Benefícios e Oportunidades para o Emprego na Agricultura (Agjobs), apoiada pelos sindicalistas e fazendeiros, que tentava justamente proporcionar uma fonte estável e legal de emprego no campo, não tenha tido apoio republicano para ser aprovada no Congresso.

Em nível estadual, o parlamentar democrata de Coachella, Manuel Pérez, propôs este mês um projeto de lei para que o estado forneça uma permissão de trabalho para aqueles que já estão nos EUA. Embora apoiada pelo UFW, muitos não a consideram a proposta uma solução final.

A Califórnia tem a maior produção agrícola do país, e em 2010 a movimentação econômica da indústria do campo no estado gerou $37,5 bilhões.