Edu Helou

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Mestre-cuca das trilhas sonoras

Antonio Tozzi

Pegue um punhado de piano, junte uma porção de violão, coloque uma pitada de percussão, acrescente um naco de violino e algumas notas de saxofone. Depois misture tudo num sintetizador, deixe amadurecer num gravador digital de 32 canais e leve ao computador.

Pronto, assim está criada uma trilha sonora by Edu Helou.

À semelhança de um refinado chef de cozinha, este paulistano sabe como poucos criar trilhas sonoras para documentários, comerciais, promos e vídeos institucionais. E tudo sai de sua cabeça, porque além de conhecer barbaridade sobre música é um emérito compositor.

Quase um Mozart brasileiro, Edu começou a compor aos seis anos de idade e não parou de fazer isto até hoje.

Observar o trabalho de pesquisador de sons do músico, cujo instrumento principal é o piano, é uma experiência fascinante. Edu sobrepõe os sons de cada instrumento num cadinho musical formando uma trilha sonora personalizada que ilustrará documentários sobre vida animal, viagens espaciais, empresas e realizações governamentais. “O segredo é saber temperar bem esta fusão para dar as melhores condições ao editor de som para montar uma trilha sonora adequada ao tema”, explica o compositor.

Tudo isso ele consegue na sala de seu apartamento onde tem um estúdio de verdade, integrado pelo protus – um gravador digital de 32 canais -, um computador equipado com os mais avançados programas de digitação sonora, sintetizador, hand sonic (aparelho eletrônico que reproduz à perfeição os mais variados sons da percussão) e, claro, instrumentos musicais. É uma verdadeira usina de sons que funciona de acordo com a genialidade do músico. “Às vezes, componho uma trilha sonora em um dia”, afirma.

Dez anos nos EUA – A ligação de Edu Helou com os Estados Unidos é intensa. Depois de ter morado no Texas durante a adolescência, onde fez um intercâmbio para aprimorar o idioma, ele voltou aos EUA há dez anos. Inicialmente, foi para a Califórnia estudar na Grove School of Music – uma experiência que Edu classifica como fantástica. A escola abriu-lhe ainda mais os horizontes para aperfeiçoar sua arte.

Ele veio para a Flórida para trabalhar na HBO Latin America. Sua função era exatamente compor trilhas, escolher o som e editar todo o material sonoro da emissora, sobretudo o material promocional. “Além dos promos, também fiz alguns documentários”, diz. Provavelmente você já ouviu uma trilha sonora composta por Edu, mas não sabe.

Os autores de trilhas sonoras também são autores intelectuais de suas obras. Atualmente, após ter deixado a HBO, ele vem dedicando-se a vender suas trilhas para editoras musicais, que as comercializam para clientes – normalmente agências de propaganda e grupos empresariais.

O processo ocorre de duas maneiras. Em um caso, Edu monta as próprias trilhas e as disponibiliza para os clientes; no outro, faz uma trilha sonora de acordo com um pedido específico. “É algo bastante legal. Preciso captar a mensagem que será transmitida e compor uma trilha que se harmonize com as imagens”, afirma.

Para ter tamanha versatilidade, o artista escuta todos os tipos de ritmos musicais: clássica, jazz, rock, rap, MPB, country. O importante é estar antenado com tudo que acontece no cenário musical. Mesmo sendo um expert, ele consegue ouvir as músicas com ouvido de leigo. Isto é importante porque lhe garante a recepção sem o filtro crítico do especialista. Este filtro, aliás, ele usa com suas próprias composições. Está eternamente insatisfeito com o resultado final, porque vive à procura da perfeição.

Discos próprios – Edu Helou, que tocou com vários artistas brasileiros como Guilherme Vergueiro, DuoFel e Raul de Souza, já lançou dois discos de sua autoria no Brasil: Sentido das Águas e Ser, indicado para o Prêmio Sharp de Música. Atualmente, não esconde que sua atual paixão é o CD Atlântico2, feito em parceria com o violonista Ivo de Carvalho.

O disco recém-lançado vem sendo bem aceito. Recentemente, Gina Martell tocou duas faixas em seu programa de Brazilian Jazz, na 94 FM. Os ouvintes gostaram tanto que pediram para ela tocar de novo no programa do domingo seguinte. O sucesso motivou até mesmo o contato com os responsáveis pelo Museu Del Disco de Miami, que se interessaram em vender o CD. “Isto foi super legal para mim e para o Ivo”, admite Edu. Quem quiser adquirir o CD Atlantico2 pode comprar via internet pelo site www.museudeldisco.com.

Apesar de ser um homem de estúdio, ele confessa que gosta de tocar ao vivo também. “Acho legal executar músicas de outros autores, mas a verdade é que as músicas conhecidas já transmitiram suas mensagens. Por isto, prefiro tocar minhas próprias canções e passar as mensagens que desejo”, diz Edu. Aliás, faz questão de destacar os convidados que participam do disco, como Ramatis, Gabi, Clive e Magrus Borges. Todos colocam seu talento a serviço da música instrumental.

Embora tenha sido essencialmente músico durante toda sua vida, Edu é surfista – ainda hoje pega ondas nas praias da Flórida -, foi capoeirista e dono de loja de roupas para surfistas, a Prisma, em São Paulo, que atualmente está concentrada na confecção de biquinis.

Como estava sendo fisicamente impossível conciliar a vida de empresário com a de músico, Edu Helou teve de fazer uma decisão.

Optou, então, por dedicar-se à música. E admite não ter se arrependido. Sorte a dele. E também sorte dos ouvintes que podem curtir suas canções e suas trilhas sonoras.

“O segredo é saber temperar bem esta fusão para dar as melhores condições ao editor de som para montar uma trilha sonora adequada ao tema.”
Edu Helou