Em crise com EUA, Rússia pode abandonar tratado de 1987

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Acordo assinado por Moscou e Washington durante o período da Guerra Fria prevê o fim da produção e da utilização de mísseis nucleares de curto e médio alcance

O chefe do Gabinete Militar russo, general Yuri Baluyevsky, disse nesta quinta-feira, 15, que Moscou pode abandonar um acordo de redução de armas assinado com os EUA em 1987, que prevê o fim da produção e utilização de mísseis nucleares de curto e médio alcance.

O tratado entrou em vigor em junho de 1988 e foi assinado pelo então presidente dos EUA, Ronald Reagan, e pelo ex-líder soviético Mikhail Gorbachev. A decisão de abandonar ou não o acordo vai depender, segundo Baluyevsky, da disposição dos EUA de dar continuidade à instalação de um sistema de defesa antimísseis na Polônia e na República Checa.

“Nós devemos estar atentos ao que nossos parceiros americanos estão fazendo”, afirmou o general russo, em entrevista a uma agência local. “A intenção deles de instalar sistemas antimísseis na Europa é inexplicável.”

No fim de semana, o presidente russo, Vladimir Putin, atacou os EUA e disse não confiar nas declarações do governo americano, que alegou estar instalando o sistema de defesa nos países do leste europeu para evitar eventuais ameaças por parte do Irã.

Durante uma conferência sobre segurança em Munique, na Alemanha, no último sábado, Putin disse que o tratado de redução de armas assinado em 1987 estava ultrapassado. De acordo com ele, desde então, muitas outras nações desenvolveram mísseis nucleares de curto e médio alcance.

O presidente russo disse ainda que Moscou vê a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – da qual a Rússia não participa – como uma ameaça. Recentemente, as relações diplomáticas entre Washington e Moscou têm sido abaladas também por divergências sobre o Iraque e outras crises globais.

O tratado assinado pelos dois países em 1987 favoreceu o aumento da segurança na Europa e o colaborou para o fim da Guerra Fria. Na ocasião, os EUA destruíram cerca de 850 mísseis, enquanto a União Soviética eliminou outros 1.850 dispositivos.