Entrevista: Altemar Dias na ponta dos pés

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Coreografia e dança formam o mundo mágico deste artista do tablado que mudou do Rio para Miami

Quem vive no sul da Flórida certamente já ouviu falar da Brazarte, uma companhia de dança que monta espetáculos onde enaltece as coisas do Brasil. Mas o que pouca gente sabe é que por trás da arte mostrada nos palcos está o talento de Altemar Dias, coreógrafo carioca que, ao lado de seu irmão Roberto, é o responsável pelo sucesso deste grupo que permanece ativo por mais de uma década.

A palavra chave para o Brazarte se manter sempre em evidência é inovação. Os irmãos Dias criam e remontam espetáculos com temáticas brasileiras, mas acrescentam uma pitada de universalismo, transformando-os em uma arte compreensível e compreendida por todos. Mais do que isto, na companhia deles há espaço para brasileiros, latinos e americanos. A única exigência, é claro, é dominar as técnicas da dança e ser talentoso.

Acompanhe a seguir, a entrevista com Altemar Dias, um dos criadores do grupo Brazarte Companhia de Dança.

AcheiUSA – Altemar Dias, de onde você é no Brasil e há quanto tempo vive nos EUA? Sempre morou em Miami?
Altemar Dias – Sou do Rio e estou aqui nos Estados Unidos há 17 anos. Morei um ano em Reno, Nevada, onde estava com a companhia de shows Oba Oba. Porém, Miami sempre foi minha preferência.

AU – Por que motivo decidiu vir para cá? Algum desafio profissional?
AD – Na realidade, vim com um contrato de trabalho como coreógrafo e bailarino para estrelar o show “Rio Ecstasy” no Scala, em Miami, na Brickell Avenue. Após um período em Cancun com o mesmo show, voltei para Miami, onde estou até hoje.

AU – No Brasil você já se dedicava às atividades artísticas?
AD – Sempre fui bailarino. Dançava para a casa de shows “Scala Rio”, com Maurício Sherman, e para a “Plataforma”, com Vlater Ribeiro. Além destes dois trabalhos, participava de alguns programas na TV Globo e fazia free lancers enm outros hows e emissoras de televisão.

AU – Você é um dos fundadores do Grupo de Dança Brazarte? Quantos anos tem esta companhia de dança?
AD – Sim, fui um dos fundadores, em parceira com Roberto Dias. Temos a Brazarte Dance Company há 11 anos e durante este período temos divulgado a arte e a cultura brasileira. Aliás, esta é nossa meta: divulgar o Brasil, nosso país, através de espetáculos de dança.

AU – Qual a tendência de dança seguida pelo Brazarte? E como você avalia a receptividade junto ao público?
AD – Tenho certeza de que a receptividade sempre foi muito positiva, por isto conseguimos dar continuidade. De outra forma, isto não seria possível, pois viver de arte sem este apoio e sem esta receptividade positiva seria muito difícil. Mas, graças a Deus, tems sido bem recebidos, elogiados e com várias críticas positivas e construtivas.

AU – Você foi agraciado com algum prêmio recentemente? E criou algum ballet específico para as apresentações do Brazarte? Poderia descrever qual?
AD – O Brazarte ganhou o Press Award de 2010. Eu e Roberto Dias criamos várias obras. Mas posso dizer que são 100% de minha autoria as obras “Tribal” que homenageia as pequenas tribos da Amazônia “e “Batuque”- que fala de nossa percussão juntamente com o ritmo na movimentação do corpo.

AU – No cenário do Sul da Flórida, como o Brazarte é classificado: inovador, exótico, regional? E qual é o próximo espetáculo que o grupo está preparando?
AD – Acho que a Flórida nos fornece de tudo um pouco e só saber aproveitar, saber de onde tirar. Por contar com uma variedade muito grande de raça e países, sempre achamos aqui histórias e temas para criar e aproveitar. O Brazarte este ano está remontando obras que nunca mais foram dannçadas. Acredito que agora seria o momento de remontar o que que já foi feito pela companhia. Temos um total de 10 obras. E atualmente estamos apresentando destas obras Bahia Sertaneja, Bossa, Amazônia, Vitória Régia e Corpo, porque este ano não conseguimos patrocínio para a companhia fazer um novo trabalho e mostrar para o público.

AU – Os integrantes do Brazarte são todos brasileiros ou vocês abrem espaço para a participação de artistas de outras nacionalidades? E as temáticas dos ballets sempre obedecem a este, digamos, nacionalismo?
AD – Veja bem, tenho um estilo que é universal. Desde que tenha técnica de ballet e dança moderna, estamos abertos a todas as nacionalidades. Atualmente, tenho oito bailarinos e bailarinas que nasceram aqui nos EUA ou em outros países da América Latina. Não discriminamos ninguém.

AU – Onde o Brazarte já se apresentou aqui nos EUA? Qual é sua principal função no grupo: coreógrafo, bailarino, diretor?
AD – Minhas principais funções atualmente são diretor, editor de vídeo e figurinista. A Brazarte já se apresentou em diversos teatros aqui na Flórida: Jackie gleason Theater, Colony Theater, Manuel Artime Theater, Lincoln Theater, Black Box, FIU e outros.

AU – Quais os prêmios que o Brazarte ganhou e em que eventos e locais mostrou sua arte nesta década?
AD – Conquistamos o prêmio de Melhor Companhia de Dança do Press Award de 2001, 2003, 2007 e 2010. E estivemos presentes em eventos significativos bem como nos apresentamos em locais onde pudemos mostrar nosso trabalho, como International Ballet Festival of Miami, Florida Dance Festival, Dance Together Festival, Miami Dance Sampleer 2000, Cornucopia of the Arts Festival, Abertura da “TAM Series” no Manuel Artime Theater, Miami Dade Community College, University of Miami, Miami Beach Senior High School Festival e Broward Center for the Performing Arts.

Esta coletânea de prêmios e reconhecimento dá a exata dimensão do Grupo Brazarte no cenário artístico do sul da Flórida. Seus criadores estão sempre em busca de novidades para mostrar um pouco de brasilidade dentro do cotexto universal da dança, uma das mais perfeitas e representativas formas de arte. Porque o corpo é usado ao mesmo tempo como instrumento e meio de expressão do artista.