Este Natal será mais que especial para quem estava longe da família

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Gilmar Silva estava preso e foi libertado e os quatro filhos de Ana Cristina, que estavam no Brasil, vieram morar com ela

Ana Paula Franco

ARQUIVO PESSOAL
Ana Cristina agora com seus quatro filhos na companhia do marido, o americano Harold Pitts
Ana Cristina agora com seus quatro filhos na companhia
do marido, o americano Harold Pitts

O Natal de 2014 será especial para as famílias Silva e Freire. A data em que os cristãos celebram o nascimento de Jesus Cristo, jamais será esquecida por essas famílias que passaram os últimos natais longe dos seus entes queridos.

Gilmar Silva ficou 1 ano e 9 meses preso em um centro de detenções do Departamento de Imigração (ICE) e foi libertado no início de dezembro. Natural de Engenheiro Caldas (MG), Gilmar mora nos EUA há 12 anos e é casado com Cristina Lima, de Governador Valadares (MG) e tem uma filha, Maria Eduarda, nascida na América. Eles vivem em Hudson, Massachusetts.

Como inúmeros imigrantes que cruzaram clandestinamente a fronteira mexicana, Silva havia sido detido por patrulheiros, pagou a fiança à Corte de Imigração, mas nunca retornou para a primeira audiência. Em maio de 2013 ele foi parado pela polícia voltando do trabalho devido a uma lanterna do carro quebrada e acabou preso.

Gilmar ficou detido por quase dois anos quando, baseado nas novas ordens imigratórias anunciadas por Barack Obama, Gilmar foi liberado depois que todas as tentativas para libertá-lo foram em vão. Desde que foi preso, a família dele contratou advogados, ele mesmo aplicou para ser libertado de dentro da prisão, mas todos os recursos foram negados. Ele foi transferido para prisões nos estados do Alabama, da Lousiania e chegou a ser levado para o aeroporto de Newark para ser deportado para o Brasil. “Eu nunca assinei nenhum documento, então eles não tinham como me deportar. Eu não tinha passaporte, não tinha documentos e nada assinado. Daí me levaram de volta para a prisão”, disse Gilmar.

Apesar de as ordens executivas anunciadas por Barack Obama ainda não terem sido regulamentadas, alguns juízes já estão usando-as como referência, já que pessoas que não têm antecedentes criminais e têm filhos americanos não serão deportadas.

ARQUIVO PESSOAL
Gilmar e Cristina Silva com a pequena Maria Eduarda
Gilmar e Cristina Silva com a pequena Maria Eduarda

A esposa de Gilmar, Cristina, e sua filha de oito anos não cabem em si de tanta felicidade. “Nunca consegui ir visitar meu marido, nos falávamos apenar por telefone. Nesse tempo todo continuei trabalhando, correndo atrás e sempre tive certeza que nossa família estaria reunida um dia. Foi obra de Deus”, disse Cristina.

“Eu não tenho nem palavras, só tenho que agradecer a Deus, à minha família, aos amigos por todo apoio. Tenho outros dois filho no Brasil, mas sei que meu lugar é na América. Na prisão somos tratados como porcos, uma situação muito triste. Fiz amigos lá dentro e quero levar algo para eles neste Natal. Vai ser o Natal mais feliz da minha vida”, disse Gilmar. Ele sempre trabalhou com pintura e carpintaria já tem muito serviço em vista e não pretende parar.

Família reunida
A casa da cearense Ana Cristina Freire Pitts, de 38 anos, vai estar cheia neste Natal. Seus quatro filhos Roberta, de 18 anos, Rafael, de 17, Vitória, de 16 e de Nicolas de 13 anos, que conseguiram o green card através dela, vieram morar na Flórida. Eles estão em Deerfield Beach desde o dia 25 de agosto e este vai ser o primeiro Natal das crianças junto com a mãe nos Estados Unidos.

A história da esteticista Ana Cristina Pitts, sobrenome que herdou do marido americano Harold Pitts, é digna de um roteiro de Hollywood. Ela veio do Brasil em maio de 2012 com visto de turista, seguindo a indicação de uma amiga para trabalhar em um salão de beleza em Coral Springs (FL). Ela deixou os quatro filhos com a mãe no Rio e, segundo ela, sempre teve o sonho de morar fora do Brasil. “Saí de Fortaleza com meu marido e com quatro crianças no braço, me separei dele com um mês que estava no Rio e, a partir daí, não parei mais de trabalhar. Atendia clientes ricas e sempre tive vontade de conhecer o mundo. Meu sonho era a Europa, mas acabei vindo para os Estados Unidos”, conta.

Sem falar uma palavra em inglês, Ana Cristina, ficou conhecendo o atual marido com três dias que estava na Flórida. “Saí para jantar com umas amigas, ele veio para falar comigo e eu não falava nada de inglês. Elas traduziram, saímos mais algumas vezes e nos casamos nove meses depois”. Ela conta que, logo de cara, avisou ao marido que tinha quatro filhos e ele “vamos precisar de uma casa grande, pois tenho dois filhos também”, conta.

Logo depois do casamento em Las Vegas, Ana Cristina aplicou para obter o green card para os filhos e conseguiu algum tempo depois. “O pai deles sempre foi muito ausente e meu maior sonho era trazê-los para cá. Para o Natal, a árvore com os presentes já está preparada. Estou plena e feliz”, disse.

Qual não foi maior a surpresa da esteticista que a filha mais velha, Roberta, veio grávida do Brasil e está esperando um menino. “A família agora vai ficar ainda maior. Perguntei ao meu marido se ele iria sair correndo”, brincou Ana Cristina que já se comunica bem em inglês, os filhos estão todos na escola e tenta se acostumar, aos 38 anos, em ser chamada de avó.