Estudantes brasileiros pedem ajuda para estudar nos Estados Unidos

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Grupo está pedindo dinheiro em um site de ajuda mútua para viabilizar o que falta para realizar o sonho de estudar for a

Joselina Reis

Michel Rozenberg Zelazny (à direita) em viagem a Austrália representando o Brasil em olimpíada de informáticaEles são brasileiros, inteligentes, talentosos, têm muitas ideias, foram aceitos por universidades renomadas nos Estados Unidos, mas são pobres. Os custos de um ano na Columbia University, em New York, pode custar aos bolsos dos pais brasileiros R$72 mil para garantir que o filho estude em uma das mais renomadas universidades do mundo. Sem condições de pagar, os estudantes têm a opção de solicitar uma bolsa de estudos, porém, dificilmente a bolsa é integral e a família precisa bancar o restante do pagamento. Para muitos, esse restante ainda é muito, e é aí que entra a antiga forma de conseguir dinheiro – a vaquinha.

Pensando nisso, um grupo de estudantes brasileiros, todos aprovados em universidades no exterior recorreram ao website de ajuda mútua (www.benfeitoria.com) para conseguir arrecadar o dinheiro que falta. Em troca, eles prometem emails de agradecimento, cartão postal, livros autografados e acima de tudo a promessa que vão poder contribuir com a educação no Brasil quando retornarem.

Michel Rozenberg Zelazny, de 17 anos, é um deles que tem como objetivo estudar informática na Columbia University. Depois do processo complicado e longo (ao todo são cinco etapas), o brasileiro, campeão de olímpiadas de informática levando a bandeira brasileira para outros países, viu seu sonho ser barrado pela conta bancária da família. “As contas estão apertadas não temos condições de pagar”, conta ele que recebeu bolsa de 83%, mas mesmo assim a família precisa desembolsar a quantia de $12 mil dólares anuais (cerca de 27 mil reais).

No seu perfil no website de ajuda mútua (www.benfeitoria.com/michelcolumbia), Zelazny conta tudo o que fez para chamar a atenção da universidade americana: como ter boas notas, todas as atividades extra-curriculares que fez para investir na sua preparação acadêmica e pessoal, prêmios e trabalho voluntário. “O processo americano demanda muito mais do candidato. Bem diferente do processo de seleção brasileiro”, revela ele que há sete anos participa de olímpiadas nas áreas de astronomia e astronáutica, química, linguística, matemática e informática, colecionando 30 medalhas.

Em julho deste ano ele vai para Taiwan, representando o Brasil em outra olímpiada. Até lá, ele trabalha como professor para garantir mais dinheiro para seu primeiro ano na Columbia University. O valor total precisa ser alcançado até o dia 15 de julho para que ele possa garantir a vaga no ano escolar que começa em agosto.

Planos
Depois da participação em tantas olímpiadas (inclusive Austrália e Estados Unidos) e contato com alunos de outros países, não foi à toa que Zelazny escolheu Columbia. Mesmo que o sonho pareça tão perto e tão distante ao mesmo tempo, ele não pensa em desistir. “Se não conseguir o dinheiro, não pretendo desistir. Eu sei que existem diversos empréstimos estudantis da própria faculdade ou de outras instituições que poderiam me ajudar a complementar o que preciso pagar. Entretanto, não gostaria de começar minha vida profissional devendo dinheiro para alguém, e daí que surgiu a ideia de fazer o crowdfunding: se cada um que se interessar pelas minhas ideias e apoiar esse projeto com o que pode, eu consigo uma grande ajuda para garantir minha estabilidade financeira na faculdade”, pede.

Quem quiser ajudar os jovens brasileiros, ao todo, até o momento, são oito estudantes, pode visitar o website www.benfeitoria, escolher qual jovem deseja ajudar e fazer uma doação.