Estudantes e ativistas pressionam por Dream Act

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Líder do Senado promete reapresentar projeto nesta quinta-feira

Milhões de estudantes estrangeiros que não têm condições de entrar numa faculdade americana por falta de visto iniciaram uma nova campanha pelo Dream Act. A regularização da situação imigratória destes jovens – através da residência temporária e possibilidade de legalização no futuro – tem recebido intenso apoio de ativistas, políticos democratas e até do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o líder da maioria do Senado, Harry Reid, prometeu que encaminhará o projeto ainda esta semana para o Congresso. A proposta, mais uma vez, precisa de 60 votos favoráveis para ser incluída na pauta.
A pressão é grande. Desde o início da semana, os estudantes estão enviando mensagens – via postal ou mesmo por telefone e Internet – aos parlamentares dos dois partidos para que estes aceitem debater o assunto em Plenário. A medida beneficiaria quase três milhões de pessoas. “Vamos aos gabinetes dos senadores e deputados em busca de apoio. Temos que unir nossas forças”, convoca um vídeo preparado pela organização PRO-America pela Reforma Imigratória.
A proposta pelo Dream act foi apresentada pela primeira vez no Congresso em 2001 e, desde então, já foi debatida em mais de 12 ocasiões – e todas as tentativas fracassaram por falta de apoio bipartidário. Na última vez em que os democratas tentaram incluí-la na pauta foi em setembro deste ano, como parte de uma emenda acerca do orçamento na área de segurança nacional. Naquela oportunidade, a iniciativa foi derrotada por 56 a 43 votos.
A pergunta de muitos indocumentados é se desta vez há alguma chance de o projeto ser aprovado. Nas últimas eleições legislativas, os democratas perderam assentos no Senado, o que supostamente tornaria a tarefa ainda mais difícil agora – hoje são 57 parlamentares do partido ou que costumam votar com a situação, mas nem todos apoiam abertamente o Dream Act, que ainda é considerada uma espécie de anistia para estrangeiros que descumpriram a lei. Nem mesmo o senador Harry Reid tem plena certeza de sucesso nesta nova empreitada. “Não tenho certeza de que teremos os 60 votos, mas algo precisa ser feito e imediatamente”, disse Reid.
Nesse sentido, várias entidades de apoio aos imigrantes resolveram se concentrar na luta pelo Dream Act e na pressão aos congressistas. Para se ter uma ideia do movimento, basta dizer que em apenas dois dias o Congresso recebeu mais de 22 mil chamadas telefônicas, quase o triplo do normal. Os estudantes também têm se manifestado através das mídias sociais. Outro apoio de peso está vindo da maior organização hispânica nos EUA, o Conselho Nacional de la Raza (NCLR, na sigla em inglês). Através de emails, a organização tem divulgado histórias de jovens que chegaram a este País ainda crianças, que estão impedidos de seu sonho por causa de uma lei imigratória falida.