Estudo revela que exame de cidadania não é confiável

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Aprovação ou reprovação pode depender de sorte ou azar ao receber as questões formuladas

DA REDAÇÃO – A importante decisão de se conceder ou não a cidadania americana a mais de um milhão de pessoas anualmente pode ser decidida pela sorte ou azar e depende de um exame de $675 que não mede adequadamente o conhecimento do solicitante sobre o país, informou um estudo.

Paula Winke, professora de estudos de idiomas da Universidade de East Lansing, disse que aparentemente a reforma do Exame de Naturalização não o tornou mais justo nem padronizado. Suas conclusões provêm de um estudo publicado na edição recente da revista Language Assessment Quarterly. “A decisão de conceder ou não a cidadania pode ser feita na base da sorte ou azar”, disse Winke, que encabeçou um estudo no qual 414 cidadãos e não cidadãos fizeram dois exames fictícios baseados nas perguntas realizadas pelo Serviço de Cidadania e Imigração.

O estudo de Winke concentrou-se na parte de conhecimentos cívicos do exame, que inclui ainda ler, escrever e falar em inglês. A parte de conhecimentos cívicos consiste de 10 perguntas extraídas de uma lista de 100 perguntas publicadas e disponíveis para estudo. Os solicitantes devem responder a pelo menos seis das 10 perguntas cívicas para aprovar.

Os solicitantes de 65 anos ou mais e que tenham vivido nos Estados Unidos por pelo menos 20 anos somente precisam estudar certas perguntas da lista.

O estudo foi realizado após a implantação do novo exame, que incorporou recomendações de muitas organizações comunitárias em todo o país e “não foi preparado arbitrariamente por burocratas em Washington”, disse a porta-voz do serviço de imigração Marilú Cabrera. O resultado, disse, é um exame que ajuda as pessoas a se converter em cidadãos e “incorporar-se plenamente à nossa sociedade”.

Uma média de 93 por cento dos solicitantes foram aprovados no exame em sua primeira tentativa desde que o novo exame entrou em vigor em outubro de 2009, disse Cabrera.

Entre as conclusões do estudo de Winke, 77 das 100 perguntas possíveis são igualmente difíceis tanto para cidadãos como para não cidadãos. Nesta categoría estão: “Quem era o presidente durante a Segunda Guerra Mundial?” e “Quantos juízes têm a Corte Suprema?”.

Das 23 perguntas restantes, o estudo descobriu que 13 delas foram fáceis de responders, tais como “Qual era a principal preocupação dos Estados Unidos durante a Guerra Fria?”. As outras 10 foram fáceis para cidadãos, e incluíram “Quem é o governador de seu estado?”.

Winke disse que as conclusões do estudo mostram que somente 10 por cento das perguntas funcionam bem.

Dos 414 participantes do estudo, 181 foram aprovados nos dois exames e 136 não passaram em nenhum dos dois. Noventa e sete foram aprovados em um e reprovados no outro, indicando que existe o risco de que, dependendo de qual versão do exame o solicitante recebe, pode ser aprovado ou reprovado.