EUA batem recorde de deportações em 2011

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Diretor do ICE, John Morton, diz que dos 397 mil deportados, 210 mil possuíam antecedentes criminais

Os Estados Unidos deportaram durante o ano fiscal de 2011 cerca de 397 mil indocumentados, número que impõe um novo recorde apesar dos pedidos de organizações que defendem os direitos dos imigrantes para que o governo do presidente Barack Obama mude sua política de expulsões. Durante o ano fiscal de 2010, o Departamento de Segurança Nacional (DHS) deportou pouco mais de 392 mil e destes 195 mil tinham antecedentes criminais.

Estes números foram entregues esta semana por John Morton, diretor do ICE, o braço policial do USCIS, durante uma audiência perante o Subcomitê de Políticas e Controle de Imigração da Câmara de Deputados.

O ICE continua pondo ênfase em nossas mais altas prioridades: deportar criminosos, pessoas que constituem um perigo para a segurança nacional, pessoas que cruzam a fronteira do México para os Estados Unidos e reincidentes que já foram deportados anteriormente, observou Morton.

Organizações que defendem os direitos dos imigrantes sustentam que uma elevada porcentagem de deportados, seis de cada dez deportados, não possuíam antecedentes criminais que os convertesse em ameaça para a segurança nacional.

Morton reiterou durante a audiência no Congresso que, durante este ano fiscal, o ICE realizou 25 mil auditorias em empresas para constatar que não estejam empregando trabalhadores indocumentados.

Durante as operações, que os ativistas que defendem os direitos dos imigrantes qualificam como batidas silenciosas, o ICE deteve 217 empregadores, 15 mil trabalhadores sem autorização de permanência nem permissão de trabalho e impôs multas de $6 milhões.

As auditorias integram o programa federal E-Verify, uma gigantesca base de dados que faz parte das políticas de segurança implantadas pelo governo federal após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2011. Hoje, os empregadores acessam voluntariamente o sistema através da Internet – e permite ao DHS verificar a identidade de qualquer trabalhador (nacional ou estrangeiro), comparar seu nome e números de identidade com outras bases de dados (entre elas a do FBI), e comprovar se tem visto ou autorização legal para trabalhar no país.

O E-Verify foi aprovado em novembro de 2003. Milhares de empresas foram auditadas pelo DHS e as identidades de milhões de trabalhadores foram verificadas, muitas vezes sem que os empregados saibam. Este tema preocupa a União Americana de Liberdades Civis (ACLU), que assegura ser a revisão silenciosa feita pelo governo federal um desrespeito aos direitos civis.

Apesar dos protestos dos republicanos que dizem estar o governo dando uma anistia administrativa, a chefe da segurança dos Estados Unidos, Janet Napolitano, disse que este governo se concentrou em zelar pelo cumprimento de nossas leis de imigração de maneira sensata e eficaz, dando prioridade à segurança pública e nacional.

Organizações colocam linha telefônica para ajudar indocumentados

Duas semanas depois da entrada em vigor da lei imigratória mais dura dos Estados Unidos, milhares de indocumentados no Alabama não sabem o que pode acontecer neste futuro imediato. Centenas já se foram, outros arrumam as malas ou transferem poderes para seus filhos no caso de serem expulsos, e muitos ficam em suas casas, à espera de um milagre, que brequem a HB 56 e possam enviar as crianças para a escola.

A HB 56 entrou em vigor em 29 de setembro, horas após da decisão da juíza Sharon Blackburn. Um dia depois, o Centro Nacional para as Leis de Imigração habilitou uma linha direta, 1-800-982-1620, para oferecer ajuda aos indocumentados que sejam afetados pela legislação ou requeiram assistência legal caso sejam postos em processo de deportação.

A campanha foi respaldada imediatamente por várias outras organizações de apoio aos imigrantes no Alabama. “Estamos redobrando esforços para dar um serviço gratuito”, disse Vanessa Stevens, da The Hispanic Interest Coalition of Alabama (HICA), em Birmingham, Alabama. “O serviço é grátis”.

“A meta é ajudar as pessoas, orientá-las para que saibam o que fazer, onde ir e como buscar a assessoria ou o conselho legal necessário” para enfrentar a difícil situação gerada após a entrada em vigor da lei HB 56. Vanessa informou ainda que, nos quatro primeiros dias de funcionamento, a linha atendeu a quase mil ligações.

O New York Times revelou em um editorial que um número importante de ligações foram feitas por mulheres grávidas temerosas de ir ao hospital ou por mães que não sabem se é seguro enviar seus filhos à escola.

O jornal afirmou que a lei imigratória do Alabama era uma “vergonha” para os Estados Unidos, e pressionou o presidente Barack Obama a brecá-la e segurar o controvertido programa federal ‘Comunidades Seguras’, uma ferramenta que contribui para fomentar o clima hostil contra os imigrantes indocumentados com batidas estaduais e nacionais.