EUA convida brasileiros para conhecer projetos de voluntariado

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Grupo de oito líderes passou vinte dias viajando por quatro estados americanos

Joselina Reis


Grupo brasileiro em Washington DC                              Brasileiros na Califórnia

Conhecer um pouco do que os outros estão fazendo no setor de voluntariado e levar essas ideias para o Brasil. Com esse objetivo um grupo de oito brasileiros, envolvidos em atividades para crianças até idosos, foi convidado pela embaixada americana no Brasil para visitar os EUA e conhecer o que alguns projetos bem sucedidos de ajuda à população carente. Esses líderes brasileiros ficaram de 2 a 24 de agosto viajando entre Washington D.C, Indiana, Califórnia e Texas. Os EUA bancaram 100% das despesas do grupo.

Do Distrito Federal, a convidada foi Ana Cristina da Silveira Chaves, coordenadora do projeto Um Gol de Educação. O projeto quer levar jovens que hoje estudam inglês, francês, espanhol, alemão e japonês nos Centros Interescolares de Língua em Brasília para o trabalho voluntário de intérpretes na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016.

“Vimos um pouco de tudo, em universidades, abrigos, escolas e até um pouco da cultura americana”, conta ela, entusiasmada com algumas ações realizadas pelos americanos, entre elas o trabalho dos voluntários em grandes eventos esportivos como o Superbowl e, a ideia de unir cidadania e trabalho. “No abrigo que visitamos, as pessoas pagam com trabalho pelos serviços recebidos. Tudo funciona durante o dia, não só para dormir como em alguns albergues”, lembra.

Ana Cristina ressalta que o grupo voltou com muita vontade de trabalhar e implementar novas ideias de trabalho voluntário no Brasil. O que também deixou a brasiliense motivada foi a organização da sociedade americana em apoiar as organizações não governamentais (ONG). “É incrível como eles doam dinheiro para essas instituições”, lembrou.

Outro brasileiro que também voltou para o Brasil motivado a investir no trabalho voluntário foi o goiano, Talles Henrique Magalhães Silva, de Águas Lindas. O grupo que ele esporadicamente organizava para ajudar pessoas em situação de risco vai virar uma ONG em breve. “Com essa viagem eu vi que é possível abrir uma ONG, só precisa organização e foco”, enumera.

Talles, que é professor de Educação Física, já atua com amigos da igreja que frequenta há quatro anos realizando atividades para ajudar crianças e idosos. Com o que viu nos quatro estados americanos, Talles voltou para Goiás com vontade e informações necessárias para investir em ações que vão ajudar a sua cidade natal. Para ele, o trabalho voluntário deveria estar presente na vida de todos. “Eu quero inspirar outras pessoas a ajudar o próximo, porque sozinho não posso fazer nada”, resume.

O professor salienta que a comunidade pode chegar até onde o governo não consegue ou demora demais para resolver o problema. “Trabalhar e receber um retorno só em dinheiro não faz sentido para mim, enquanto minha comunidade vive naquela situação”, conta Talles. Águas Lindas tem 280 mil habitantes, Talles acredita que pelo menos 1200 pessoas entre crianças e idosos já passaram por atividades organizadas pelo seu grupo de voluntários.