EUA pedem investigação rigorosa sobre morte de jornalista russa

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O governo americano pediu nesta segunda-feira às autoridades russas que iniciem uma investigação “rigorosa e exaustiva” sobre o assassinato da jornalista Anna Politkóvskaya.

“Pedimos ao governo russo que realize uma investigação rigorosa e exaustiva para levar à Justiça os responsáveis por seu assassinato”, informou a Casa Branca em comunicado.

Politkóvskaya, 48, nascida nos EUA e filha de diplomatas soviéticos, era uma jornalista “intrépida” em suas investigações e seu “brutal assassinato” causou assombro e tristeza em ambas as nações, afirma o governo americano na nota.

“Estendemos nossos pêsames e nossas orações a sua família e amigos”, indicou o comunicado emitido pelo escritório de imprensa.

A Casa Branca lembrou que, em seus trabalhos de jornalismo de investigação, Politkóvskaya tentou denunciar a corrupção e os abusos aos direitos humanos, especialmente na Tchetchênia.

“Ela desafiou seus compatriotas e todos nós a termos coragem e vontade, como indivíduos e sociedade, para combater o mal e retificar as injustiças”, conclui o comunicado.

Morte

Politkóvskaya, assassinada no sábado (7) em sua casa em Moscou, preparava um artigo sobre as torturas sistemáticas na Tchetchênia, segundo informou o jornal russo “Novaya Gazeta”, onde trabalhava desde 1999.

Neste domingo, o “Novaya Gazeta” ofereceu hoje 25 milhões de rublos `cerca de US$ 1 milhão` de recompensa em troca de informações sobre o assassinato.

O redator-chefe do jornal, Dmitri Muratov, disse à emissora de rádio “Eco de Moscou” que espera que a recompensa permita identificar o assassino e os mandantes do assassinato de “uma das vozes mais críticas do jornalismo russo”.

Politkóvskaya confessou, em várias ocasiões, que tinha sofrido ameaças de morte dos serviços secretos russos, do Exército e de outras agências de segurança do Estado.

A jornalista, que morreu após ser atingida por um tiro no peito e outro na cabeça, entrou na lista de mais de 300 jornalistas mortos ou desaparecidos na Rússia desde 1991.

O enterro da jornalista ocorre amanhã em um dos cemitérios de Moscou.