EUA pressionam Israel a aceitar Estado palestino

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Biden pediu o fim dos assentamentos e da violência na região

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pressionou Israel a apoiar a criação de dois Estados para solucionar o conflito entre israelenses e palestinos. Durante discurso na reunião anual da Comitê Americano dos Assuntos Públicos de Israel (Aipac), o influente lobby israelense nos EUA, Biden pediu ainda que Israel interrompa a construção de assentamentos, remova os postos de controle nos assentamentos já existentes e permita que os palestinos tenham liberdade de movimento. Biden também pediu aos Estados árabes que, partindo da iniciativa de paz lançada por eles em 2002, comecem a fazer “gestos significativos” para encerrar o isolamento de Israel. Além disso, o vice-presidente ressaltou que é necessário que os militantes palestinos na Faixa de Gaza libertem imediatamente e sem precondições o soldado israelense que têm em seu poder.

O novo governo de direita israelense, sob o comando do premiê Benjamin Netanyahu, tem evitado apoiar publicamente uma solução de dois Estados para o conflito, e essa omissão tem provocado tensão entre os EUA, a comunidade árabe e oficiais europeus envolvidos nas negociações. Na véspera, Netanyahu disse estar preparado para iniciar imediatamente negociações de paz com os palestinos, mas não fez menção à criação de um Estado para eles. “Estamos preparados para retomar as negociações de paz sem demora e sem quaisquer precondições. Quanto antes, melhor”, disse Netanyahu por vídeo na conferência. Ele ainda descreveu uma abordagem “tripla”, que incluiria discussões políticas, estímulos à economia palestina e o fortalecimento das forças palestinas de segurança.

O negociador palestino Saeb Erekat criticou o caráter “vago” do discurso e o fato de Netanyahu não se comprometer com a negociação das questões centrais, como o status de Jerusalém, o futuro dos refugiados e a própria criação do Estado palestino. “Ninguém tem tempo para relações públicas e para a linguagem vaga. Espero que não tenhamos de esperar anos para ter uma resposta ‘sim’ ou ‘não’ a essas questões simples, temos de saber agora”, disse. Os líderes palestinos rejeitam a ideia da “paz econômica” e dizem que o processo de paz só deve ser retomado depois que Netanyahu se comprometer com a independência palestina.