EUA rejeitam apelos de Kofi Annan sobre efeito estufa

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Os Estados Unidos rejeitaram na quarta-feira os apelos do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, por uma redução nas emissões de gases do efeito estufa e suas acusações de que há “uma assustadora falta de liderança” no combate ao aquecimento global.

“Achamos que os Estados Unidos vêm liderando em termos de iniciativas inovadoras”, disse Paula Dobriansky, subsecretária de Estado para Democracia e Assuntos Globais, em entrevista coletiva durante a reunião da ONU sobre clima, que começou dia 6 e prossegue até 17 de novembro.

Annan pediu durante o evento que os países ricos sejam mais “corajosos” no corte de emissões dos gases do efeito estufa. Ele fez um apelo específico aos EUA para que voltem ao Protocolo de Kyoto, que obriga 35 países desenvolvidos a cortarem suas emissões de poluentes até 2012.

Dobriansky disse que os EUA têm políticas voltadas para frear — e não reduzir — as emissões, ao mesmo tempo em que o país investe pesadamente em tecnologias “limpas”, como hidrogênio.

“Buscamos desacelerar, reverter e realmente conter as emissões”, disse ela. Os EUA são os maiores emissores mundiais dos gases supostamente responsáveis pelo aquecimento global, provocados por usinas elétricas, fábricas e carros. China, Rússia e Índia vêm a seguir no ranking.

“Embora o Protocolo de Kyoto seja um passo crucial à frente, é um passo pequeno demais”, disse Annan aos 189 países que participam da reunião. “No momento em que consideramos ir ainda mais longe, permanece uma assustadora falta de liderança”.

Ele disse que sua crítica não estava dirigida a nenhum país em particular.

Grandes países em desenvolvimento, como China e Índia, teriam de começar a reduzir suas emissões de poluentes, o que não está previsto no Protocolo de Kyoto, segundo Annan.

O objetivo da reunião de Nairóbi é encontrar maneiras de prorrogar a vigência do tratado além de 2012 e ampliar a ajuda a países pobres, especialmente da África.

Annan apresentou um plano de seis agências da ONU, intitulado “Marco de Nairóbi”, para ajudar países em desenvolvimento a receberem mais verbas para promoverem energias “limpas”, como a eólica e a hidrelétrica.

Ambientalistas dizem que mesmo apoiadores de Kyoto, como a União Européia, demonstram pouco interesse em encontrar um sucessor para o tratado. Um documento de quarta-feira disse que os ministros não imporiam prazos para decidir o que fazer.

“Foi o mínimo necessário para manter este processo avançando”, disse Jennifer Morgan, da entidade ambientalista britânica E3G. Muitos ambientalistas querem um acordo sobre o pós-Kyoto até 2008, o que daria tempo à adaptação de investidores.

O atual protocolo obriga que 35 países reduzam suas emissões de gases do efeito estufa para 5 por cento abaixo dos níveis de 1990 até 2008-2012.

“Todos sabem que devemos reduzir as emissões globais em 50 por cento até 2050”, disse o comissário (ministro) europeu do Meio Ambiente, Stavros Dimas.

O presidente George W. Bush retirou em 2001 os EUA do Protocolo de Kyoto, alegando que os limites prejudicariam a economia norte-americana e que os países em desenvolvimento não deveriam ter sido poupados.

Segundo Annan, “está cada vez mais claro que custará muito menos cortar emissões agora do que lidar com as consequências depois”.