Falando a mesma língua contra as drogas

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Irmandade de Narcóticos Anônimos mantém reuniões em português no sul da Flórida

O dependente químico não deve ser discriminado pela sociedade. Ao contrário, necessita de suporte para buscar a recuperação e de alguém que fale a sua língua – literalmente. Aqui no Sul da Flórida, o Narcóticos Anônimos, irmandade sem fins lucrativos criada há mais de 50 anos, mantém reuniões em português exatamente para facilitar a interação entre pessoas da mesma comunidade e que compartilham do mesmo idioma, valores e, é claro, problemas. Os encontros acontecem às terças em Miami e às quintas e sábados em Pompano Beach.
Há somente um requisito para tornar-se membro de NA: O desejo de se recuperar do vício parar de usar. “Muita gente precisa do NA, mas infelizmente poucas querem parar de usar as drogas. É preciso ser honesto consigo mesmo para admitir que se tem um problema, uma doença”, explica o brasileiro H., membro de NA que frequenta o Grupo Brasil de Pompano Beach e prefere manter-se anônimo. Segundo ele, que já foi usuário de cocaína mas está limpo desde que se juntou ao NA em 1997, ainda no país natal, as experiências de outros adictos partilhando a recuperação nas reuniões lhe dão a esperança e a força para viver sem drogas.  “O valor terapêutico da ajuda de um adicto a outro não tem paralelo.  E só dando de volta é que podemos manter o que temos”, sintetiza.

O Programa de NA é baseado em 12 passos ou princípios. No Primeiro Passo, o adicto se rende ao fato de que não consegue controlar o vício. A seguir, busca um Poder Superior para preencher o vazio deixado pela retirada das drogas, um Poder que pode ajudá-lo a enfrentar a realidade da vida. Mas é importante dizer que o NA não está conectado a qualquer grupo político ou religioso. “Qualquer um pode juntar-se a nós, independente do sexo, identidade sexual, raça, religião ou falta de religião. Só estamos interessados no que os adictos querem fazer a respeito do seu problema e como podemos ajudá-los”, disse H.. Prova dessa abertura é o fato de que a irmandade está espalhada por todo o mundo, inclusive em países como o Irã, por exemplo.

De acordo com H., a adiccção é uma doença progressiva, incurável e fatal, com aspectos mentais (obsessão), físicos (compulsão) e espirituais (egocentrismo). Como tal, o dependente é passível de recaídas frequentes. Um brasileiro do sul da Flórida, que frequentou as reuniões por um tempo, morreu num destes momentos cuja queda emocional acabou levando-o de volta às drogas. “Nos Narcóticos Anônimos não dizemos que não vamos usar nunca mais.  Tal conceito pode ser inconcebível para um adicto.  Dizemos que não vamos usar Só Por Hoje.  Vivemos Só Por Hoje.  Cuidamos da nossa doença Só Por Hoje,” diz H.,  que aponta a única solução: Não tomar aquela primeira droga. 

NA não tem subterfúgios.  Não há compromissos escritos nem promessas a fazer a ninguém.  Quem quiser assistir uma reunião de NA em português no sul da Florida pode chegar: Terças-feiras, 8:30pm-10pm (Grupo Brasil de Miami, 1718 Bay Road); e no Grupo Brasil Pompano Beach às quintas 9pm-10:30pm e sábados 9pm-10pm (400 NE 31st Ct). Outra informação valiosa é o telefone da Linha de Ajuda do NA que funciona 24 horas por dia: 1-866-288-6262. “Os adictos convivem com a doença diariamente, mas as reuniões nos ajudam a perceber que há esperança. Não somos responsáveis pela nossa doença, mas somos responsáveis pela nossa recuperação.  Vivemos e apreciamos a vida…  Só Por Hoje!”, finaliza H..