Famílias fazem protesto em frente ao presídio para imigrantes de Pompano

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Lentidão da Justiça é a principal reclamação das famílias

Os imigrantes que estão presos no centro de detenção para imigrantes Broward Transition Center (BTC), em Pompano Beach, costumam esperar até dois meses por uma audiência na corte, e a demora faz com que as famílias passem por necessidades financeiras. Para pressionar a liberação de seus familiares, esposas e amigos foram até o porta do BTC, na Powerline Rd., em Pompano Beach, no sábado (17), para mais um protesto contra a lentidão da Justiça.

Dezenas de pessoas reuniram-se em frente ao centro com cartazes de protesto pela suposta condição dos detidos.

A brasileira Claudia Perfeito foi quem convidou os amigos e a ONG Dream Activist para o protesto de sábado. Seu marido, o brasileiro Agnaldo Batista Andrade, está preso no BTC desde junho e cada audiência com o juiz Rex Ford leva em média dois meses. A cada audiência com o juiz eles pedem por mais documentos. Não tem fim, reclama a brasileira, que é cidadã americana e por isso Agnado teria direito à legalização.

Ela disse que estava prestes a dar entrada no pedido de green card do marido quando ele foi preso por dirigir embriagado. O casal mora em Fort Myers e toda a semana Claudia faz o trajeto até Broward para visitar o marido.

Durante o protesto, Agnaldo ligou para a esposa do lado de fora do presídio e falou com a equipe do AcheiUSA. O juiz faz o que quer e nós não podemos fazer nada. Temos que esperar até dois meses para vê-lo. Não precisava essa agonia com a gente e com a nossa família, disse o brasileiro, que aproveitou também para reclamar da alimentação dada aos presos.

Outra família que também espera uma audiência é a da mexicana Blanca Morales. O marido Agustín Morales foi preso em maio, quando se apresentou para uma entrevista junto à imigração. As crianças sentem a falta do pai e o menino agora tem problemas na escola, afirma. Ela garante que Agustín tem direito a asilo, mas a lentidão da Justiça fez com que continue no presídio. A família tem sobrevivido com a ajuda financeira oferecida por igrejas.

Radym Davis, representante local da ONG Dream Activist, garante que a entidade vai continuar apoiando os protestos até que todos os familiares estejam reunidos. Ele lembra que a maioria dos presos não são criminosos e poderiam ser liberados com mais agilidade.

No entanto, não é o que acontece. O guatemalteco Angel Raymundo permaneceu por seis meses no BTC. Ele foi liberado no dia 1º de novembro deste ano, mas resolveu participar do protesto para ajudar os amigos que conheceu dentro do presídio. Estou aqui hoje porque sofri lá dentro e sei a situação dos meus amigos. Eu tenho que apoiar a família deles nesse momento, declarou.

Procurado pelo AcheiUSA, o BTC, através do seu departamento de serviços públicos (Office Public Affairs) informou que a demora depende da necessidade de documentação que cada caso apresenta e também da disponibilidade dos advogados. As audiências acontecem todos os dias da semana dentro do presídio e familiares e a comunidade em geral pode acompanhar. Apenas um juiz toma conta dos processos, no entanto, e nem todos os casos são de sua responsabilidade.