Fantasma da deportação assusta brasileiros

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Genario Vitória clama por ajuda

Mineiro luta desesperadamente para não ser deportado e deixar a família desamparada

Crônica de uma deportação anunciada. Parafrasear Gabriel Garcia Marquez pode dar a dimensão exata do drama vivido por Genario Vitória e Osilene Teixeira. Nesta quinta-feira, 30 de junho, Osilene ficou disparando telefonemas para advogados, jornalistas e amigos que pudessem ajudá-la a resolver seu enorme problema: a possibilidade de seu marido, Genario Vitória, ser deportado para o Brasil.

Aliás, ele somente não foi deportado nesta quarta-feira porque revoltou-se no aeroporto e retornou à prisão com a roupa rasgada. Osilene conversou nesta quinta-feira com o marido e sentiu sua angústia: “Ele está em pânico porque a Imigração deu uma carta de deportação para ele e estão forçando-o a assiná-la. Além do mais, a comida dele já foi cortada. É um sintoma de que já está em processo de deportação”. Segundo a esposa, Genario era um dos deportáveis nos três ônibus que saíram do centro de detenção e que levou também alguns brasileiros.

Para quem não sabe, o problema do casal é ainda mais dramático porque eles têm um filho e uma filha, ambos nascidos aqui, e Osilene está grávida do terceiro filho. Para piorar a situação, sua gravidez é considerada de alto risco devido ao forte stress que ela vem sofrendo por conta desta situação. Os médicos que fazem o pré-natal estão preocupados com a saúde do feto e Osilene precisou fazer um ultra-som para verificar o estado dela e do feto. Além disso, as duas crianças têm sérios problemas de saúde: a menina possui albinismo em alto grau e o menino é autista.

Advogada tenta ajudar

Mesmo com viagem marcada para o Brasil, a advogada Iara Nogueira Morton ligou de Orlando para o oficial de remoção do Serviço de Imigração, Michael Fernity, responsável pela guarda de Genario Vitória, a fim de sensibilizá-lo para que ele postergue a deportação do brasileiro de Ituetá (MG) em virtude do elevado sofrimento que sua ausência pode causar a cidadãos americanos, no caso, seus filhos nascidos nos Estados Unidos.

Infelizmente, ele já possuía uma ordem de deportação emitida em 2004 e nunca compareceu à corte para se defender. Diante das evidências, o juiz de imigração deferiu o pedido de deportação contra ele feito pelo Serviço de Imigração dos EUA. Diante disso, a advogada vislumbra somente duas possibilidades imediatas: “Contar com a boa vontade do oficial de imigração, responsável pelo caso, para postergar a remoção de Genario ou dar entrada num formulário específico explicando a situação desesperadora da família com o objetivo de persuadir os oficiais do Serviço de Imigração a adiar sua deportação”.

Por estar morando nos EUA há dez anos e ter filhos americanos, agravado pelo fato de ambos terem problemas de saúde, as chances de Genario seriam enormes. Entretanto, por já ter uma ordem de deportação emitida há sete anos, ele não pode reivindicar a “Lei dos 10 Anos”. “Para ser beneficiário desta lei, o imigrante precisa estar morando nos EUA durante dez anos, nunca ter saído do país, ter filhos nascidos aqui e não ter nenhum problema com a Justiça”, explicou Iara.

Para complicar ainda mais a situação, a ordem de deportação foi deferida em Boston, Massachusetts, e hoje Genariao está vivendo na Flórida. Seria preciso, portanto, contar com a boa vontade do juiz e do promotor público para transferir o processo para a Flórida. “Esta poderia ser uma possibilidade de reabrir o caso de Genario, mas eles não são simpáticos quando o imigrante é notificado e não comparece à corte. Assim, as probabilidades de reabertura do caso são mínimas”, observou a advogada Iara Morton, que já obteve vitórias em casos de deportação. “Mas, se for fixada uma fiança, Genario pode deixar a prisão e reentrar novamente com um processo”, observou a especialista.

Enquanto o marido vive seu drama na prisão da Powerline, Osilene não tem como sobreviver. Ela não pode trrabalhar por estar grávida, ter de cuidar dos filhos com problemas de saúde e por não ter documentos para trabalhar legalmente nos EUA. Resta a este casal apenas a ajuda das pessoas de bom coração. Quem quiser colaborar com esta família, pode fazer um depósito na conta de Osilene Teixeira, no Wachovia Bank. O número da conta corrente é 1010292592140.

Deportações em alta

O governo de Obama é o que mais tem deportado em comparação com seus antecessores, apesar de sua disposição em resolver a questão imigratória. Confira os dados na tabela ao lado:

2010 – 392,862 indocumentados
2009 – 389,834 indocumentados
2008 – 369,221 indocumentados
1998 – 174,813 indocumentados
1988 – 25,829 indocumentados