Galopando na Flórida – A História das Drogas na América (Parte I)

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Eduardo Garcia

O ser humano é competitivo por natureza. Por certo, as primeiras competições foram de velocidade e/ou força. Os homens, caçadores por instinto, se orgulhavam de correr mais rápido que seus companheiros atrás da caça que proveria a “mesa” da família (ou da tribo). E, na viagem de retorno, o mesmo sentimento imperava para transportar o produto da caça nas costas. Daí para as competições organizadas foi um passo mais ou menos.

Os pensadores da época concluíram num dado momento que poderiam melhorar o desempenho dos proto-atletas. Hidratação, alimentação, treinamento, etc, foram, provavelmente, as primeiras conclusões. Mas, com o correr do tempo e com os avanços da ciência, alguém mais espertinho (já havia espertinhos naquela época) descobriu que algumas drogas melhoravam, e muito, o desempenho. Foi aí que tudo começou.

Ganhar sempre foi o objetivo. O que no princípio era apenas mais um troféu passou a representar dinheiro, pago por aqueles que desfrutavam do espetáculo e já apostando (outro hábito instintivo do ser humano). As apostas a princípio eram apenas um contra o outro. Aí alguém resolveu organizar as apostas (olha o espertinho novamente em cena). E, como sempre, o dinheiro falou mais alto. De repente o espírito esportivo ficou em segundo plano (pobre Barão de Coubertin) e ganhar a qualquer custo é o lema que, infelizmente, perdura até os dias de hoje.

Desde o início, as competições nos Estados Unidos são marcadas pela presença de drogas, a maioria delas muito mais potentes do que as que apareceram nas manchetes nos últimos anos.

Todas as incoerências na política de drogas que estamos experimentando agora não são nada de novo para o esporte das corridas de cavalo.

No dia 4 de maio de 1968, Dancer’s Image terminou em primeiro lugar no Kentucky Derby. Dois dias depois, o químico Kenneth Smith relatou para Churchill Downs que a amostra de urina do vencedor tinha dado positivo para Butazolidan. E a notícia correu rapidamente: O vencedor do Derby correu dopado. Essa era a manchete da quase totalidade dos jornais dos EUA.

Um analgésico relativamente desconhecido chamado fenilbutazona, comercializado sob o nome de Butazolidan, entrou na rotina das corridas e abalou o esporte inteiro. E também se tornaria o primeiro de muitas incoerências quando se trata com medicamentos.
No dia 7 de maio, os funcionários do hipódromo de Churchill Downs anunciaram os resultados e, após três dias de audiências, Dancer’s Image foi desclassificado e Forward Pass declarado vencedor. O proprietário do potro, Peter Fuller, apelou da decisão no final de 1968, mas foi confirmada pela Comissão de Corridas do estado de Kentucky. Fuller, em seguida, apelou ao Tribunal de Circuito, e o juiz Henry Meigs decidiu em favor de Fuller, sustentando que não havia nenhuma evidência para provar a presença de Butazolidan.

A Comissão de Corridas, sob a pressão do proprietário de Forward Pass, Sra. Eugene Markey, recorreu da decisão ao Tribunal de Apelações do Kentucky, que deliberou em favor da comissão em abril de 1972. Em junho daquele ano, depois de ter sido recusado um pedido de uma nova audiência, Fuller relutantemente deu o seu apoio para que o dinheiro da bolsa fosse reintegrado. Um ano depois, Fuller perdeu a batalha final, quando o tribunal negou o apelo para ter Dancer’s Image reconhecido como vencedor oficial do Derby.

Após cinco anos de batalhas judiciais e R$ 250.000 em taxas legais, Fuller finalmente desistiu da luta. Menos de um ano depois, em março de 1974, a Comissão de Corridas de Kentucky legalizaria o uso do Butazolidan.

Em abril de 1975, o Butazolidan (que foi sintetizado pela primeira vez em um laboratório suíço em 1946 e eventualmente produzido pelos laboratórios Jensen-Salsbery em Kansas City) e o diurético furosemida (conhecido pelo seu nome comercial Lasix) eram legalizados em 12 estados . Em 14 de abril de 1975, o Daily Racing Form começou a listar os nomes de todos os cavalos em Gulfstream Park que estavam competindo com Butazolidan e Lasix. Poucos dias depois, Keystone e Pimlico foram adicionados quando essas drogas foram legalizadas na Pensilvânia e em Maryland.

O primeiro estado a realmente permitir o uso controlado de medicamentos foi a Califórnia.
(continua na próxima semana)

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