Gay: ser ou não ser

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Antonio Tozzi

O Boy Scouts of America decidiu adiar a decisão sobre a aceitação de homossexuais em seu grupo. Por ser uma associação que trabalha com crianças e adolescentes, muita gente dentro da organização se opõe à presença de homossexuais assumidos, temendo que eles possam influenciá-los negativamente e até mesmo abusar deles.

À primeira vista, a preocupação faz sentido. Mas à luz de uma análise mais profunda, ela perde força. Ora, uma coisa é ser homossexual, outra bem diferente é ser pedófilo. E pedófilos há tanto homossexuais como heterossexuais. Em entrevista à CBS News, uma lésbica assumida estava desolada por ainda continuar sendo discriminada dentro da organização que ela tanto gosta e para a qual se dedica inteiramente. A moça chegou a chorar.

Do outro lado, um dirigente do Boy Scouts of America defende a instituição sem a participação de homossexuais, alegando que cada grupo tem de se integrar dentro de seus princípios e valores. E, segundo ele, a organização foi criada para defender os princípios e os valores da sociedade americana que prega o relacionamento entre homem e mulher e a formação de jovens comprometidos com o patriotismo e a ajuda ao próximo.

Recentemente, a Inglaterra aprovou o casamento homossexual e alguns estados americanos já legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os mais conservadores e alguns religiosos revoltam-se, por considerar que isto pode ser o início da dissolução da sociedade, tal qual a conhecemos. Ou seja, a cada conquista dos homossexuais a sociedade vai enfraquecendo-se e isto pode representar o começo do fim do mundo.

Será que isto é verdade? A própria história se encarrega de desmentir este axioma. Textos antigos narram a existência de relacionamento entre pessoas do mesmo sexo a comprovar que esta prática existe desde que o mundo é mundo. Na Grécia e na Roma Antiga, jovens efebos eram disputados por homens mais velhos que os colocavam sob sua proteção em troca de favores sexuais.

Até a Bíblia narra o episódio da destruição de Sodoma e Gomorra, onde seus habitantes dedicavam-se à prática do sexo anal, tanto com homens como com mulheres. Como se percebe, este tema é recorrente dentro da História. Reis, imperadores e conquistadores, como Alexandre Magno, tinham preferência por pessoas do mesmo sexo, apesar de também se relacionarem com mulheres. O mesmo se repetia entre as mulheres.

Muita gente critica o fato de a pessoa tornar-se homossexual. Mas a pergunta que fica é a seguinte: eles são mesmo culpados? Se é que se pode chamar uma opção sexual de culpa. Não sou psicólogo nem médico, entretanto observações indicam que o fato de alguém desejar uma pessoa de seu sexo é consequência da genética, isto é, a pessoa nasce com este tipo de gen e nada pode fazer para lutar contra o inelutável. Alguns tentam relacionar-se com pessoas de outro sexo, mas isto somente mascara a realidade.

Pior, ainda, na minha opinião. Envolvem outras pessoas no processo, que acabam sofrendo e passando humilhações por causa da cabeça mal resolvida do homossexual. Muitos homens e mulheres se casam, têm filhos e depois de uma certa idade se cansam de viver uma vida falsa e resolvem se assumir. Diante desta nova realidade, o cônjuge e os filhos podem ser vítimas do preconceito. Claro, que há casos em que a compreensão mútua entre o casal e a transparência no relacionamento com os filhos pode perfeitamente amenizar a situação.

Por falar em crianças, uma reportagem de autoria de Ana Paula de Melo Franco, aqui no AcheiUSA, provocou muita polêmica, depois dela retratar o caso de dois homossexuais um brasileiro e um americano que vivem um relacionamento homoafetivo estável e decidiram adotar uma menina. A maioria dos leitores considerou isto um ato de amor, mas um dos leitores condenou o ato por considerar uma abominação dois homens vivendo uma relação marital.

Claro que um relacionamento entre pessoas do mesmo sexo não é um ato normal e o que a sociedade espera, porque não gera filhos. Entretanto, não podemos chamar isto de abominação. Afinal, quem somos nós para julgar alguém, quando também cometemos pecados e somos passíveis de críticas. Na verdade, devemos enaltecer que duas pessoas estenderam as mãos para ajudar alguém que, se não fosse pela intercessão deles, talvez fosse condenada a viver em um orfanato com um futuro sombrio.

Para aqueles que imaginam o relacionamento deixar sequelas na criança adotada, um dado. Isto simplesmente não é verdade. Evidentemente, a criança fica um pouco confusa ao ver que tem duas mães ou dois pais quando a maioria dos amiguinhos tem um pai e uma mãe, mas com o tempo passa a entender que duas pessoas do mesmo sexo podem se amar da mesma maneira que os heterossexuais. E ao crescer não necessariamente vai transformar-se em homossexual. A única certeza é que ela se tornará uma adulta que vai incorporar-se à luta pelos direitos iguais para todas as minorias.