Governo do Nepal estima que mortos por terremoto cheguem a 10 mil

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Número de mortos por abalo sísmico de 7,8 pontos na escala Richter já ultrapassa 5,5 mil; entre os feridos estão 11 mil pessoas

Tremor ocorrido no sábado (25) reduziu a pó monumentos históricos e deve prejudicar economia local, que depende do turismo
Tremor ocorrido no sábado (25) reduziu a pó monumentos históricos e deve prejudicar economia local, que depende do turismo

DA REDAÇÃO (com Folha de S.Paulo) – O forte terremoto que ocorreu no Nepal, no sul da Ásia, no sábado (25), já registra mais de 5,5 mil mortos, mas o total pode chegar ao dobro disso, disse o premiê nepalês, Sushil Koirala. Segundo ele, o país está num “esforço de guerra” em sua operação de resgate e assistência às vítimas. Se de fato os mortos chegarem a 10 mil, o número será superior ao pior terremoto já sofrido pelo país, em 1934, que matou 8.500 pessoas.

Segundo a ONU, o terremoto de magnitude 7,8 afetou 8 milhões de nepaleses, quase um terço da população. O número de feridos chega a mais de 11 mil pessoas.

Enquanto a tragédia humana continua a crescer, o estrago causado ao patrimônio histórico do Nepal é outro lado doloroso do desastre. Construído com a madeira de uma única árvore, o templo hindu Kasthamandap era o mais conhecido da praça Durbar, um marco da capital nepalesa. O terremoto reduziu a imponente construção a uma montanha de madeira, soterrando pelo menos 25 pessoas.

Morador a vida inteira de um prédio na praça Durbar, coração social, cultural e religioso de Katmandu, o comerciante Amulya Tamrakar, 46, se acostumou a ter de sua janela a vista de um dos espetaculares templos hindus do século 16. Após o terremoto, só restaram escombros. “Séculos de história e cultura destruídos em poucos segundos”, lamentava Amulya na terça (28), acompanhando esforços de uma equipe de resgate alemã em busca de sobreviventes.

Amulya conta que se preparava para almoçar quando o terremoto começou. Sem pensar muito, pegou a mãe de 73 anos no colo e desceu correndo os cinco andares de escada. Ao sair do prédio, teve um choque. “Cresci correndo em volta deste templo, era meu playground”, diz. Ele afirma que ajudou a retirar 17 pessoas dos escombros, mas só três sobreviveram.

Monumentos reduzidos a pó
Vários outros prédios históricos viraram ruínas na praça Durbar, que reúne as principais atrações turísticas da capital. Três dias depois do terremoto, ainda havia esperança de encontrar sobreviventes soterrados, mas ela diminuía a cada minuto. “O prazo máximo para achar alguém com vida nessas circunstâncias é de cinco dias”, disse Stefan Heine, porta-voz da organização de resgate alemã Isar. “É uma corrida contra o tempo”. Equipes de pelo menos seis países participavam da corrida: Alemanha, Japão, França, Malásia, Turquia e Índia.

O comandante da polícia nepalesa, Ved Bista, que coordenava os trabalhos, disse que há cerca de 150 desaparecidos somente nesta área.
“Levará ao menos dez anos para reconstruir tudo”, afirmou Indra Ades, 72, motorista de ônibus de turismo. “O prejuízo será enorme, porque nossa economia depende do turismo. Sem esses templos e com o risco de terremotos, muita gente vai pensar duas vezes antes de vir.”

O premiê nepalês apelou à solidariedade internacional para tentar aliviar o sofrimento das vítimas. “Precisamos de barracas e muitos medicamentos. As pessoas estão dormindo ao relento e na chuva”, declarou Sushil Koirala. “Há mais de 11 mil feridos, e a recuperação deles será um grande desafio.”