Greve de fome pela reforma imigratória

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Imigrante mexicano inicia manifestação em frente à Casa Branca para chamar a atenção de Obama

Há 20 anos vivendo nos Estados Unidos e com ordem de deportação marcada para o próximo dia 7 de dezembro, o indocumentado mexicano Rodolfo Macías decidiu radicalizar na sua última cartada para permanecer no país: ele está há quase uma semana em frente à Casa Branca, em Washington DC, em greve de fome para chamar a atenção do presidente Barack Obama para o seu problema – que, em última instância, é o mesmo de milhões de estrangeiros na América. Ele espera que o líder da nação cumpra a promessa que fez em campanha de concretizar a reforma imigratória ainda este ano.

Rodolfo está desafiando o frio na capital, que muitas vezes chega a temperaturas abaixo de zero grau, com a esperança que outros imigrantes na mesma situação pressionem o governo a tomar uma atitude. “Nós não somos criminosos e sim trabalhadores, que saímos dos nossos países em busca de uma melhor qualidade de vida”, afirmou o mexicano. Ele garantiu que não desistirá da manifestação até que atinja seu objetivo.

“Nossa legalização é parte da solução para o problema da América”, frisou o mexicano na entrevista.

Arquiteto formado em seu país, Rodolfo saiu da cidade onde mora, em San Antonio (estado do Texas) e percorreu mais de 1.600 milhas até a residência oficial do presidente para levar sua mensagem. Desde então, tem se reunido, em seu “escritório” ao ar livre na Pennsylvania Avenue, com ativistas, religiosos e até parlamentares, em busca de parcerias para a causa. Além disso, ele já enviou várias cartas a Obama e ao presidente mexicano, Felipe Calderón, solicitando que este sirva de interlocutor dos milhares de conterrâneos que estão vivendo à sombra da sociedade nos EUA.

Esta não é a primeira vez que Rodolfo faz uma manifestação do tipo. Em 1989, ele também fez greve de fome contra uma suposta fraude eleitoral no pleito que levou Carlos Salinas ao poder, no ano anterior. Naquela oportunidade, porém, a atitude foi tomada em frente ao prédio da Organização das Nações Unidas, em New York, pedindo asilo político a ele e ao cinco filhos. Anos mais tarde, ele mergulhou no rio San Antonio, no Texas, para chamar a atenção do ex-candidato à presidência Bill Clinton para o seu pedido de refúgio político no país. A greve de fome é sua mais nova tentativa de atrair atenção para o tema.