Grupo ajuda imigrantes no deserto do Arizona

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Os Samaritanos de Green Valley-Sahuarita socorrem os imigrantes perdidos e desesperados

Da Redação com Green Valley News – Alguém bateu à porta três dias depois de Kathy Babcock ter-se instalado em sua nova casa no coração de Green Valley.

Na varanda estavam dois jovens que acabavam de atravessar o deserto. Pediram comida e água, e Kathy Babcock os atendeu.
Isto foi há mais de sete anos.

Hoje, ela não espera os imigrantes baterem à sua porta. Sai pelo deserto procurando por eles, e não é a única. Semanalmente, os Samaritanos de Green Valley-Sahuarita despacham pelo menos três equipes mais no inverno para procurar imigrantes que atravessam a fronteira com o México e perderam a batalha contra o deserto do Arizona. O grupo, fundado em 2005, deixa também garrafas de água nos caminhos frequentados pelos imigrantes, recolhe o lixo no deserto e vai até a linha divisória para alertar os imigrantes que tentam entrar no perigoso território.

Acaba de amanhecer e o sol desponta sobre a serra de Santa Rita. Kathy Babcock está sentada no banco de passageiro do veículo todo terreno apto para circular pelo terreno agreste do sul do Arizona. Terry Voss é o motorista; Donald Weston, marido de Kathy e seu companheiro na tarefa de salvar vidas, está sentado no banco traseiro.

A placa magnética colada ao veículo os identifica como Samaritanos, e saúdam os agentes quando passam perto do posto da Patrulha de Fronteira a oeste da escola Sopori.

A reação dos agentes é variada. Alguns geralmente os mais jovens, disse Kathy supõem que têm o mesmo objetivo de salvar vidas. Outros não são tão amistosos, pois sabem que os Samaritanos só os chamarão se um imigrante estiver rendido e disposto a se entregar. Aqueles que só precisam de água e alimentos antes de seguir rumo ao norte não serão reportados, e isto nem sempre é aceito.

Os Samaritanos têm regras para circular pelo deserto. Cada equipe deve ter pelo menos três pessoas, das quais pelo menos uma precisa falar espanhol. Também precisa de alguém que entenda de primeiros socorros, além de levar água e alimentos. Eles não transportam os imigrantes porque é ilegal, a menos que haja uma emergência e tenham estabelecido contato com a Patrulha da Fronteira ou tenham tentado. O serviço de telefonia celular é irregular. Por isto carregam um GPS e outros dispositivos para poder enviar sinais para uma base local ou para os prestadores de primeiros socorros que utilizam serviços de comunicação por satélite. Não portam armas. Nunca enfrentamos situações de temor lá fora, disse Voss.

Querem que os recolham e os deportem

Os coiotes traficantes de imigrantes são mentirosos. Dizem aos imigrantes que Tucson está a dois dias a pé da fronteira e Chicago a somente cinco. Se alguém se machuca ou se atrasa, fica para trás. O grupo não espera ninguém.

O calor do verão é abrasador. Algumas vezes, mulheres são violentadas ou os bandidos retêm grupos inteiros. Mesmo se conseguem chegar a uma cidade grande, se aproveitam deles, os coiotes os sequestram para pedir resgate ou enfrentam propostas de trabalho duvidosas.

Os Samaritanos têm visto menos imigrantes recentemente. Eles atribuem isto à maior presença de agentes fronteiriços que empurra os imigrantes a cruzar a fronteira em áreas mais remotas do deserto, assim como uma melhoria na economia do México e na piora dos Estados Unidos.

Os Samaritanos aceitam, mas não escondem sua frustração pelos números anuais que indicam que dezenas de cadáveres continuam sendo encontrados no deserto – 171 no ano passado no sul do Arizona e muitos outros que nunca são recuperados.
Este dia não encontraram imigrantes, e é difícil dizer se estão decepcionados ou aliviados. Significa que ninguém está em perigo ou que eles não estavam no momento certo.

Voss sorri ao ser perguntado se esta é a maneira como esperava gastar o tempo durante sua aposentadoria. O ex-ministro metodista que dirigiu 10 residências para enfermos de Aids em Portland, Oregon, disse que sempre soube que passaria sua vida ajudando os outros.

Trabalhar com pessoas necessitadas é parte de quem somos, disse, olhando para os outros dois samaritanos no veículo.