Grupo faz da música um ato de solidariedade

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Músicos amadores de Miami tocam por amor à arte e ao próximo

Joselina Reis


Grupo amador mostra que música é um estado de espírito

Eles não são superheróis, mas têm dupla identidade. Durante o dia, estão em suas atividades habituais, seja nos escritórios de empresas de transporte, seja no hospital atendendo a pacientes. Mas é à noite que eles se juntam e se transformam no grupo ‘Amigos do Samba’, tocando pandeiro, percussão e soltando a voz para encantar plateias. E tem mais: nos fins de semana eles se apresentam em eventos beneficentes, alegrando o público por uma boa causa.

Ron Valença, médico e músico, conta que a intenção dos integrantes era apenas aprender a tocar algum instrumento e não formar um grupo ou banda. Todos eram frequentadores da Escola de Música Antônio Adolfo, em Hollywood. Aliás, foi o professor que incentivou os integrantes a formarem o grupo. “Ele disse que a gente parecia um grupo e nós começamos a tocar em casa de amigos só pelo prazer de ouvir boa música. Tudo muito informal”, conta Ron, que há mais de 20 anos mora em Miami.

No início, lembra Ron, o grupo era formado por oito integrantes, mas as dificuldades de coordenar trabalho e ensaios levou quatro a deixarem os instrumentos de lado. Os que ficaram — Ron Valença (cavaquinho) Daniela Galvão (voz), Felipe Souto (percussão) e Antônio Galvão (violão) — encaram o hobby como uma maneira de aliviar a tensão da semana de trabalho.

“Música é um escape. A gente conhece outras pessoas, se desliga do mundo e quando estamos no palco incorporamos outro personagem, o músico”, revela Ron, que adianta que o grupo só toca samba de raiz, com um toque de jazz. O axé, pagode e temas de escolas de samba não estão incluídos no repertório, que é formado por Paulinho da Viola, Chico Buarque, Jorge Ben Jor, Elis Regina e Adoniran Barbosa.

A cantora do grupo, a carioca Daniela Galvão, também entrou na música por acaso. Ela frequentava a mesma escola de música, apenas para acompanhar o marido, o violonista Antonio Galvão. “Eu cantava em casa, aí eles começaram e pedir para acompanhá-los e essa história já tem três anos’, lembra a brasileira, que passa a semana trabalhando na área de seguros.

Essa vida dupla dos integrantes já dura cinco anos, sendo que há dois eles se apresentam uma vez por mês no Boteco Miami (916 NE 79th St, Miami, FL 33138). O quarteto Amigos do Samba também vai se apresentar em dois eventos beneficentes nas próximas semanas, no dia 23 de fevereiro em Miami e nos dias 15 e 16 de março em Fort Lauderdale.