ICE prende 2900 em 50 estados

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Operação durou uma semana e foi focada em imigrantes criminosos

Pelo menos 2.900 imigrantes indocumentados foram presos durante uma batida gigantesca realizada nos 50 estados, divulgou o Gabinete de Aduanas e Controle de Fronteiras (ICE) em um comunicado.

Os 2.901 imigrantes detidos tinham antecedentes criminais, acrescentou o órgão. As prisões foram efetuadas dentro da operação “Verificação” (Cross Check). Além de ter coberto os 50 estados, abrangeu territórios ultramarinos, confirmou o ICE.

O diretor do ICE, John Morton, disse que a operação destaca o compromisso do órgão de centralizar suas operações na detenção e expulsão de estrangeiros com antecedentes criminais.

A batida, que durou uma semana, foi a maior do gênero, revelou o ICE. O órgão acrescentou terem participado da operação 1.900 agentes federais e 24 unidades ou agências do Departamento de Segurança Nacional (DHS), além de polícias estaduais e municipais.

Mudança de política

A batida foi realizada seis semanas depois de o governo do presidente Barack Obama ter anunciada uma mudança na política de deportações e assegurou que o esforço de sua administração estava concentrado nos indocumentados com antecedentes criminais sérios.

Em 18 de agosto, o ICE tornou pública sua intenção de adiar por tempo indefinido a deportação de certos imigrantes sem autorização para estar no país, que tenham uma ordem de deportação vigente e careçam de antecedentes penais, que poderiam ter a possibilidade de solicitar uma permissão de trabalho se atenderem a uma série de outros requisitos.

O governo também advertiu que a medida era discricional, afeta ou impacta aproximadamente 300 mil indocumentados em processo de deportação e cada caso será revisado minuciosamente pelas Cortes de Imigração.

Mas a Associação Americana de Advogados de Imigração (AILA) apontou não existir uma maneira “segura” de se qualificar para ser beneficiário da determinação divulgada pelo Departamento de Segurança Nacional (DHS), e que tampouco existe uma garantia de que um caso será considerado pelas autoridades para ser revisado.

Detalhes da batida

Segundo o ICE, os 2.901 estrangeiros presos durante o desenrolar da operação “Cross Check” possuíam antecedentes. “Pelo menos 1.282 estrangeiros contavam com vários antecedentes criminais e mais de 1.600 dos detidos tinha condenações por delitos graves como homicídio, tentativa de assassinato, sequestro, roubo a mão armada, tráfico de drogas, abuso de menores, delitos sexuais contra menores e assalto agravado”, detalha o relatório.

E acrescenta que, do total dos 2.901 estrangeiros presos durante a batida, 42 eram membros de quadrilhas e 151 haviam sido condenados por delitos sexuais.

Outros 681 presos eram fugitivos de imigração que tinham ordens de deportação vigentes e 386 haviam sido deportados anteriormente, mas haviam regressado ao país sem autorização, fato que se converte em um delito grave punível com uma pena máxima de até 20 anos de cadeia.

Na lista de detidos pelo ICE, figura o imigrante Virgilio López-Ruiz, de 54 anos, da República Dominicana e residente no Bronx, em New York. López foi sentenciado em 1988 por tentativa de assassinato em segundo grau.

Outro dos presos foi identificado como José Gallardo, de 51 anos, natural do México e residente em North Hollywood, Califórnia. Em 21 de março de 1996, ele foi condenado pelo delito de sequestro de um menor de 14 anos de idade e disparos contra uma residência. Foi deportado e depois voltou aos Estados Unidos sem autorização.

Na lista, também contam Roberto Hackett-Baquie, de 54 anos panamenho, que em 26 de março de 2008 recebeu uma condenação por abuso de menores, e Euford Brown, de 60 anos, da Jamaica, que em 2 de abril de 1986 foi condenado pelo delito de violação.

O DHS disse que a primeira batida dentro da operação “Cross Check” foi executada em dezembro de 2009 e desde então foram realizadas batidas em 37 estados. Esta é a primeira que isto foi executado em todo o país, incluindo quatro territórios ultramarinos.