‘Idiocracy’

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Um filme de baixo orçamento e sem muita relevância, que quase ninguém se lembra, talvez seja agora um “cult” que vale a pena ser revisitado justamente por tratar de temas tão atuais e tangíveis na nossa rotina. Provavelmente podemos voltar a falar sobre ele por se tratar quase de um reality show que aborda temas tão atuais e vale a pena conferir. Trata-se de Idiocracy, dos roteiristas do seriado South Park. O filme argumenta que, no futuro, a humanidade emburrece ao ponto em que todos se tornam tão debilitados intelectualmente que nem o sistema se beneficia mais de tal queda de níveis de inteligência.

Voltando à nossa realidade, enquanto a dupla caipira Trump & Temer disputa (incansavelmente, diga-se de passagem) pela vaga de pseudo líder mais impopular de todos os tempos na história do Brasil e EUA, assistimos quase que calados ao desmonte de todas as conquistas sociais e econômicas, nos dois países, que foram obtidas a tanto custo. É uma lástima e ainda ter que comentar sobre isso é quase como que chutar em cachorro morto ou deixar chover no molhado. Tanto no Brasil quanto em qualquer lugar da terra do tio Sam, é matematicamente impossível encontrar pela frente alguém que demonstre alguma simpatia por esses sujeitos. As pesquisas de opinião não estão aí para mentir e os índices demonstram isso. Qualquer lunático (no caso dos EUA) ou pessoa de péssimo caráter (no caso do Brasil), apoia um ou outro e, consequentemente, deveriam estar na cadeia ou internadas num hospício.

Ler o noticiário americano é quase como que assistir a um filme de baixa categoria. A respeitosa NBC relata em seu site que numa reunião de alto nível, com o comando maior da segurança nacional, o topetudo que deveria estar no comando da defesa de você e de seus filhos contra-ataques das pessoas do mal, age como personagem de filmes de ação e demanda resultados de sua equipe, não no bom sentido mas naquela galhofa peculiar a personagens de filmes mesmo, com aforismos, tiradas sem sentido e piadas sem graça. Nada substancial, diga-se de passagem e que não condizem com a postura de alguém responsável.

Atitudes como essa são lindas no cinema e adoramos nos identificar com esse personagem, mas na vida real precisamos de líderes de verdade, não personagens de reality shows ou o que quer que seja que Trump queira personificar. É importante bater nesta tecla e nos perguntarmos o que Trump ainda está fazendo no Salão Oval. Quando a dignidade da Casa Branca vai ser restaurada? Suas atitudes erráticas e caóticas permite que pessoas sejam perseguidas nas ruas, em seus trabalhos. Direitos são tomados, conquistas desmanteladas. A América vai precisar de muito tempo para restaurar o orgulho e a dignidade que ele está tomando a cada dia.

No Brasil a história é outra. O mordomo de vampiro, Temer, acaba de ganhar mais uma sobrevida através do resgate de seus “parças”, ou seja, seus mancomunados no congresso. A quadrilha votou pelo arquivamento do processo do Supremo contra ele. O Brasil está condenado a mais um ano e meio sob seus desmandos. A população carcerária é até maior do que o índice de 5% da população, ou seja, de bandidos que o apoiam nas pesquisas de opinião. Sinal de que há algo de errado. Curioso é que não há panelaços, multidões nas ruas, pato amarelo em passeatas. Talvez o Brasil mereça mesmo isso e a população tenha a liderança que lhe caiba.

Difícil vislumbrar alguma esperança no horizonte diante da inércia dos cidadãos dos dois países. Não estamos pregando uma revolução, mas uma reação contra os abusos e desmandos do poder dominante. A democracia prestigia justamente isso. Não há mudanças no regime sem que haja reações populares. 

Eu sei, é difícil traduzir em miúdos a importância desta discussão e transportá-la para o seu dia-a-dia mas ela já está sendo sentida por você. Quem reside nos EUA está mais cabreiro ao entrar no aeroporto ou dirigir pelas vias expressas perto de casa. Quem mora no Brasil já sabe que está mais difícil correr atrás de seus direitos trabalhistas. O que se pode ser dito no momento é que a situação só vai piorar enquanto nada acontecer. Enquanto isso, melhor assistir ao filme.