Imigrantes à mercê da inclemência do deserto e da pressão dos narcotraficantes

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Para que um imigrante possa salvar-se ao cruzar o deserto, precisa caminhar 70 milhas até a rodovia mais próxima, que é a Ajo Way e chegar a Tucson, no estado do Arizona

DA REDAÇÃO – Nos últimos sete meses a Patrulha da Fronteira do setor de Tucson localizou 93 cadáveres no deserto e conseguiu salvar a vida de outras 195 pessoas.

No ano fiscal 2011, o número de cadáveres recuperados nesta fronteira inóspita foi de 193, a maioria deles ainda sem identificação, os quais se somam aos mais de 1.500 corpos que estão na morgue do condado de Pima como desconhecidos.

A Patrulha da Fronteira afirma que 71% de todos os cadáveres encontrados no deserto não são identificados, mas acredita-se que muitos deles sejam centro-americanos. Temos muitas vítimas salvadorenhas, porque o deserto é mortal, não é como dizem os coiotes, comentou o cônsul salvadorenho em Tucson, José Joaquín Chacón.

Por isto o governo de El Salvador, através do consulado, está trabalhando na elaboração de um banco genético para, em coordenação com os médicos forenses do Arizona, tratar de identificar corpos. Neste ano, revelou o cônsul salvadorenho, conseguiram identificar seis cadáveres, graças aos testes de DNA.

Para a cônsul da Guatemala em Phoenix, Julia Guzmán, a preocupação é a travessia de crianças por esta zona. Há alguns dias detectamos 29 menores de idade, este é um item alarmante, comentou Guzmán. É a fronteira por onde mais estão atravessando os indocumentados guatemaltecos.

Para a Patrulha da Fronteira, este setor da fronteira com o México é também o mais usado pelos traficantes de droga.

Esta fronteira não só representa um perigo pelo calor, que supera 45 graus centígrados, como também porque os coiotes os abandonam e pelos narcotraficantes, comentou Manuel Padilla Jr., subchefe da Patrulha de Fronteira no setor de Tucson.

Travessia de alto risco

Para que um imigrante possa salvar-se ao cruzar o deserto, precisa caminhar 70 milhas até a rodovia mais próxima, que é a Ajo Way e chegar a Tucson.

Ese trecho representa quatro a cinco dias de caminhada, para o qual é preciso estar abastecido com pelo menos seis galões de água se não quiser desidratar-se, alertou Padilla.

Os contrabandistas dizem a eles que é um percurso curto, mas só lhes tiram o dinheiro e os abandonam, mas o dinheiro é o de menos, porque nestas condições o imigrante fica vulnerável aos perigos do deserto, afirmou.

Uma das principais zonas de travessia que estão usando atualmente, tanto os coiotes como os narcotraficantes, são as 75 milhas de fronteira da reserva indígena Tohono O’odham, um território independente ao qual a Patrulha de Fronteira precisa entrar com permissão dos nativos.

A nação de Tohono O’odham é uma das áreas mais ativas que temos ao longo da fronteira do Arizona, revelou Padilla. Nesta zona, há muito tráfico de drogas, que é outro perigo enfrentado pelas pessoas que estão atravessando, porque os conflitos entre grupos de narcotráfico representam um perigo e comumente eles utilizam ilegais para levar droga como forma de pagamento pela travessia.