Imigrantes estão mais expostos aos acidentes de trabalho

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Estatísticas mostram que 17 pessoas morrem todos os dias nos EUA devido a este problema, na maioria estrangeiros indocumentados

As mortes dos brasileiros Rômulo Santos e Celso Palamar, vítimas de dois acidentes de trabalho distintos em 2008 nos Estados Unidos, infelizmente não são casos isolados. Na verdade, dados do próprio Departamento de Trabalho dos Estados Unidos mostram que os imigrantes na América estão mais sujeitos a acidentes no exercício de suas atividades profissionais do que os cidadãos, exatamente pela falta de treinamento e pelo descaso com as normas de segurança. A Organização Internacional do Trabalho calcula que mais de 2,2 milhões de pessoas morrem a cada ano no mundo deste problema, o que supera o número de vítimas fatais nas guerras.

Nos Estados Unidos são 17 mortes por dia devido a acidentes relacionados com o trabalho, muitos deles envolvendo brasileiros. Por isso, o especialista Rony Jabour, da Occupational Safety Health Administration (OSHA), uma agência federal que lida com a administração de saúde e segurança ocupacional no país, percorre várias cidades ministrando cursos para a nossa comunidade com o obejtivo de reduzir o alto número de vítimas. Ele estará na Flórida, no dia 10 de outubro (sábado), para um destes workshops.

“No batente”

“Muitos brasileiros vêm para a América trabalhar em construção ou em outras atividades de risco sem a necessária experiência ou mesmo treinamento. Eles só aprendem o ofício no batente e isso é perigoso”, alerta o capixaba Rony. Ele conta que no workshop costuma mostrar fotos de brasileiros mortos ou mutilados em acidentes de trabalho: “São imagens que chocam, mas que conseguem mostrar a importância do aprendizado”, diz o instrutor.

O curso é oferecido em português durante um dia inteiro, para grupos de 20 pessoas. Entre os temas abordados estão, principalmente, dicas de como evitar acidentes, sejam eles em obras, no manuseio de produtos químicos ou mesmo na manutenção de sistemas elétricos. “São técnicas simples que podem evitar tragédias”, acrescenta Rony. Cada participante recebe ao final do curso um certificado da OSHA – o documento muitas vezes é exigido por empregadores na hora de contratações para determinados trabalhos. Mais informações pelo telefone (978) 767-0630, com Rony.

Brasileiros engrossam as estatísticas

Boa parte da comunidade brasileira trabalha em empregos considerados de risco: construção civil em geral (desde a limpeza da obra até os serviços de acabamento) e jardinagem (landscaping). Portanto, a realização de um workshop para tratar de segurança no trabalho vem em boa hora. Quem não se lembra do caso do paranaense Celso Palamar, de New Jersey, que morreu prensado por um elevador de 900 libras enquanto realizava manutenção em uma ponte no estado da Virginia? Também em 2008, o fluminense de Volta Redonda Rômulo Santos que morava em Somerville (Massachusetts) foi vítima de uma descarga elétrica ao mexer em fios desencapados no Wal-Mart – morreu na hora. E os casos se sucedem: Frederico Fernandes Barbosa, de Danbury, e Romildo Silva, de Framingham, também foram vítimas de acidentes de trabalho, provavelmente por inexperiência. “O grande vilão é mesmo o setor da construção civil, daí o grande número de operários em nossos cursos”, justificou Rony.