Imigrantes não desistem e sairão às ruas em 22 de fevereiro

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Nesta data tomarão as ruas de Los Angeles e em março se reunirão com o papa Francisco

Nas últimas duas semanas o cenário da reforma imigratória registrou um vazio inesperado. Primeiro, os republicanos dvulgaram uma “lista de princípios”, depois disseram que não haverá debate em 2014, e em seguida culparam o presidente Barack Obama pelo fracasso na Câmara dos Deputados e que não haverá votação até depois das eleições de novembro e, por último, um senador democrata pediu para aprová-la o quanto antes, mas que entre em vigor em 2017.

“Qualquer destes cenários é pior do que tínhamos no final de dezembro e começo de janeiro”, disse à UnivisionNoticias.com Juan José Gutiérrez, presidente do Movimento Latino USA de Los Angeles, Califórnia. “Não esperávamos, mas não nos rendemos”, assegurou.

Janeiro finalizou com a entrega de uma “lista de princípios” elaborada durante uma reunião republicana em Maryland. O documento incluiu uma dura via de legalização para indocumentados que não tenham antecedentes criminais, paguem impostos, cancelem importantes multas, falem inglês e se declarem culpados de violar as leis imigratórias dos Estados Unidos.
Sem calendário

A lista não incluiu nem datas nem o tempo de espera para conseguir a residência (green card). Somente mencionou que, antes de encaminhar qualquer tipo de benefício, primeiro deveriam ser atendidos todas as outras exigências de segurança, entre elas, o fechamento da fronteira à travessia de indocumentados e a ativação de um sistema biométrico para rastrear os estrangeiros que entram e saem do país, entre outros requisitos.

Embora a lista não tenha mencionado um cronograma, a deputada Ileana Ros-Lehtinen advertiu que o debate poderia estender-se muito além de 2014.

Diante da pergunta se a lista de princípios poderia converter-se em “outro conto” político e ao final o Congresso não fazer nada, Ros-Lehtinen disse “pode ser outro conto. Não vou fazer a promessa de que isto vai realizar-se”.

Onda de repúdios

Depois das declarações de Ros-Lehtinen, líderes republicanos confirmaram que não haverá reforma este ano e o presidente do Congresso, John Boehner (Ohio), citou em uma conferência de imprensa “que será difícil avançar neste tema este ano”.

“Muitos dos membros (republicanos da Câmara) não confiam que a reforma da qual estamos falando se realize, conforme ficar decidido”, acrescentou.

Mais tarde, o legislador Raúl Labrador, um dos republicanos que integrou o Grupo dos Oito – que redigiu em segredo um plano para legalizar os 11 milhões de indocumentados que nunca foi revelado -, disse que a reforma imigratória estava morta. “Não vamos ter reforma imigratória”, declarou.

“Não creio que vai ter reforma imigratória. Realmente não há suficiente confiança entre a Câmara dos Deputados (controlada pelos republicanos) e o presidente para que possamos chegar a um acordo”, completou.

A resposta do governo

A postura e as determinações republicanas foram respondidas pela Casa Branca na segunda-feira (10). Disse que o rechaço dos republicanos para empurrar a reforma na Câmara dos Deputados é alheia à confiança que existe sobre o presidente Barack Obama e destacou que o freio é causado pela divisão interna provocada pelo tema.

“Não acredito na sugestão de que os problemas dos republicanos têm com este tema seja culpa do presidente, nem que se possa atribuir a uma falta de confiança (em relação ao mandatário)”, disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

Na semana anterior, uma fonte da Casa Branca disse que não havia razão para não aprovar a reforma imigratória em 2014, e que no plenário da Câmara Baixa há 218 votos prontos para votá-la em qualquer momento.

A marcha dos 22

Enquanto democratas e republicanos acusam-se mutuamente e defendem suas estratégias em um ano de eleições intermediárias, os ativistas seguem adiante com suas estratégias.

“Em 22 de fevereiro, saíremos às ruas para voltar a pedir a reforma imigratória e que parem as deportações”, disse Gutiérrez. “Convidamos o presidente para que nos acompanhe, mas ainda não nos respondeu se virá conosco”.

O movimento dirigido por Gutiérrez enviou ao mandatário mais de 1,500 cartas pedindo-lhe que se una à passeata para pressionar a liderança republicana. “Não dizemos que não virá porque a Casa Branca não nos respondeu. Pode ser que venha e marche conosco. Até que nos digam o contrário, continuaremos esperando”.

Por que o convite?

O convite a Obama surgiu depois que o presidente proferiu em novembro, na Universidade de Berkeley, em San Francisco, um discurso sobre imigração e mencionou a necessidade urgente de aprovar uma reforma imigratória, e que para conseguir isto teria de continuar pressionando os republicanos para que apóiem a proposta de lei já aprovada pelo Senado.

“A saída mais fácil é tratar de gritar e pretender que eu posso fazer algo passando por cima das leis. E o que estou propondo é pegar o caminho difícil e usar nosso processo democrático para alcançar as mesmas metas que vocês querem alcançar”, disse Obama.
As organizações que defendem os direitos dos imigrantes e clamam por uma reforma imigratória abrangente levaram a sério a resposta sobre “usar nosso processo democrático” para pressionar os republicanos da Câmara dos Deputados.

Gutiérrez reiterou que “as manifestações são as máximas expressões da democracia” e destacou que durante a marcha de 22 de fevereiro em Los Angeles voltarão a pedir uma votação no plenário o mais rápido possível.

“E também pediremos ao governo que pare as deportações. Já são quase 2 milhões os deportados desde 20 de janeiro de 2009”, comentou.

O ativista também divulgou que em 22 de março se reunirão com o papa Francisco no Vaticano para entregar-lhe centenas de cartas de crianças e jovens da Califórnia que pedem ao chefe da Igreja Católica que interceda diante da Casa Branca e do Congresso para que suspenda as deportações e seja aprovada a reforma imigratória.

“Não temos o cenário de dezembro mas nosso movimento segue em pé. Esperamos que esta mobilização motive outras organizações para que saiam às ruas e usem o processo democrático, como disse o presidente, para pedir que os republicanos da Câmara dos Deputados submetam à votação uma reforma imigratória abrangente”, concluiu.