Imprensa se divide sobre reproduzir capa do “Charlie Hebdo”

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O aviso “Plus de Charlie Hebdo” (“Charlie Hebdo esgotado”) foi pendurado em muitas bancas de jornal na França na manhã da quarta-feira (14). A nova edição do semanário satírico se esgotou rápido na maioria das bancas do país. Três milhões de cópias foram impressas – 50 vezes mais do que antes do ataque.

A empresa francesa MLP, responsável pela distribuição do semanário, disse à DW que a publicação está agora disponível em seis países adicionais aos que já recebiam o jornal antes dos ataques. Entre outros, Estados Unidos, Reino Unido e Noruega receberam exemplares. Ao todo, 26 países constam na lista da MLP, a maioria deles na Europa. E a lista deve aumentar: a distribuidora recebeu pedidos do Líbano, Camarões, Cingapura, Chile, República Dominicana e outros cinco países.

Mas os leitores que não conseguiram comprar uma cópia original puderam de qualquer forma ver – ou foram confrontados com – os desenhos produzidos pela equipe sobrevivente do semanário. A capa do Charlie Hebdo foi amplamente reproduzida pela mídia ocidental, mas também fortemente criticada como blasfêmia por muitos muçulmanos em todo o mundo.

Na Europa, a maioria dos meios de comunicação franceses decidiu reproduzir a capa, que traz uma charge do profeta Maomé chorando, sob o slogan “tudo está perdoado”. Entre eles, estavam os jornais de grande circulação Le Monde, Libération e Le Figaro.

Muitas publicações europeias conhecidas decidiram seguir o exemplo. Na Alemanha, Der Spiegel eFrankfurter Allgemeine Zeitung, que estão entre os veículos mais importantes do país, usaram a charge em seus sites. O Süddeutsche Zeitung dedicou duas páginas para as caricaturas; O Frankfurter Rundschau foi um dos jornais que imprimiram a capa do Charlie Hebdo em sua primeira página. O esquerdista Die Tageszeitung dedicou toda a sua capa ao Charlie Hebdo. A DW também mostrou imagens da capa da revista.

Mundo muçulmano
O jornal turco pró-secular Cumhuriyet publicou no dia 14 quatro páginas com trechos do Charlie Hebdo, mas sem incluir a capa controversa mostrando a caricatura do profeta Maomé. O jornal afirmou que a polícia havia permitido distribuição só após verificar que não havia imagens de Maomé impressas. Depois de um pequeno grupo de estudantes pró-islâmicos fazer um protesto do lado de fora da redação jornal em Ancara, guardas protegeram o prédio.