Incerteza pela recaptura de indocumentado

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Um dos indocumentados que voltou a ser detido é pai de cinco filhos nascidos nos Estados Unidos

A decisão tomada pelo Gabinete de Alfândega e Controle de Fronteiras (ICE) de liberar centenas de indocumentados e depois recapturá-los causa preocupação e incerteza na população imigrante dos Estados Unidos.

O diretor do ICE, John Morton, disse esta semana perante um comitê do Congresso que a decisão adotada pelo órgão em fevereiro, quando liberou mais de 2,200 indocumentados, não constitui uma ameaça à segurança nacional, e que a medida foi tomada como resultado direto dos recentes cortes orçamentários.

O ICE liberou um total de 2,228 indocumentados detidos “e não há liberações maciças de delinquentes perigosos neste momento, nem planejadas para o futuro. São somente esforços para nos ajustarmos a viver dentro de nosso orçamento”, disse Morton.

As declarações do chefe do ICE não convenceram nem republicanos nem democratas. Os republicanos culparam o diretor do ICE de ter permitido as liberações por motivos políticos para assustar o povo com os efeitos dos cortes orçamentários. “Creio que a maioria destas pessoas sairiam de acordo com o processo normal e culpar um assunto político está me parecendo que querem frustrar o povo americano”, disse o legislador Raúl Labrador.

Futuro incerto

Morton assegurou que os liberados não representam uma ameaça, embora por erro tenham sido incluídos oito estrangeiros culpados de delitos graves, e que quatro deles já foram presos.

Um dos recapturados pelo ICE seria o imigrante mexicano Héctor Moreno, que mora na Carolina do Sul. Sua esposa, Victorina, contou que três semanas depois de ser liberado agentes federais o prenderam na porta de sua casa quando voltava do trabalho.

“Até agora não sabemos de nada mais. Héctor estava detido há tres meses em uma prisão da Geórgia e seu caso estava a ponto de ser resolvido. Já havia conseguido deter a deportação e estava nesta fase quando o liberaram”.

Victorina contou que Moreno foi liberado junto com vários imigrantes detidos em uma prisão da Geórgia a mando de ICE. E não disseram nada a ele, somente que saíram e lhe deram uns documentos para que se apresentasse na corte.

Moreno foi preso em dezembro acusado de dirigir sob influência de álcool. “O policial viu duas latas de cerveja, mas não ficou comprovado que ele havia tomado. Ele levava dois companheiros de trabalho que deixaram as latas no carro. Ele trabalha na construção”, disse a esposa. “Mas sua advogada havia dado entrada para deter a deportação e havia conseguido”.

Moreno foi um dos 2,228 liberados pelo ICE em fevereiro. “Três semanas depois voltaram para levá-lo. Primeiro, vieram umas pessoas à casa para perguntar por ele com a história de que procuravam uns cachorros. Disse que sim, que vivia aqui. À tarde, quando chegou do trabalho, havia uns homens na rua arrumando um carro. Estavam fingindo que o consertavam. Identificaram-se como sendo da imigração e o levaram”.

Moreno tem audiência na corte em 1º e 5 de abril, e em 5 de maio, segundo sua esposa. “Ele já havia solicitado a permissão de trabalho” perante o Gabinete de Cidadania e Serviços de Imigração (USCIS).

A família Moreno tem cinco filhos menores de idade cidadãos americanos. A maior, de 13 anos, sofre de autismo, e um dos pequenos, de seis anos de idade, tem problemas de linguagem.

Segundo os dados proporcionados por Morton no Congresso, o ICE tem entre 34 mil e 35 mil imigrantes nas prisões controladas pelo órgão, e uns 5.350 mil casos pendentes de indocumentados com ordem de detenção.

Um comunicado do ICE confirma que “28 dos liberados por razões orçamentárias foram detidos novamente por violar os termos da supervisão ou depois que o órgão descobriu informações não disponíveis durante o exame inicial dos casos”.

Acrescentou que “continuará revisando os termos de liberação para cada indivíduo como prática de rotina e reconsiderará as condições quando for necessário”.

Nos últimos quatro anos o governo do presidente Barack Obama quebrou sucessivamente os recordes de deportações. Em 2012 expulsou quase 410 mil.