‘Isso aqui é um pouquinho de Brasil’ – A Copa Cultural do CCBU

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Terceira parada da Copa Cultural do CCBU foi no Recife

Por Léa Ferencz*

A sensação de quem esteve no último dia 10 de março na Biblioteca Pública de West-Dade era a de que ali estava um pedacinho de Brasil. Tomando emprestado um verso de Ary Barroso, era “esse Brasil que canta e é feliz, feliz, feliz”. Os olhos dos americanos e latinos ali presentes brilhavam de alegria, prazer e emoção com tudo o que viam e ouviam sobre o Recife, sua história e seus ritmos.

Houve alguns tropeços, verdadeiros acidentes de percurso. O DVD com as imagens do Recife se partiu ao ser retirado do seu estojo, nada que a vivacidade da palestrante e presidente do CCBU, Adriana Riquet Sabino, não pudesse contornar com seu conhecimento sobre a vibrante história da capital de Pernambuco, que uma vez já foi conhecida como Nova Amsterdã.

Depois foi a vez de Gene de Sousa – apresentador do programa Café Brasil nas noites de domingo, transmitido pela WDNA, 88.9FM – falar dos ritmos do Brasil. O apresentador do Café Brasil explicou o que eram e mostrou exemplos de samba, bossa-nova, MPB, forró, maracatu, axé, coco, manguebeat, caboclo, frevo, etc. A platéia ficou simplesmente hipnotizada.

Quando todos já se consideravam felizes com a programação, eis que são surpreendidos por um tipo de batucada nunca antes escutada por aquela plateia, daquela forma, com aquela intensidade. A música começa lá no primeiro andar, sentimos que os músicos vem-se aproximando. Até as paredes se deixaram contaminar com tanta vibração. A porta se abre, e surge aquele grupo vestido com as cores do Brasil, resplandecendo alegria; eles entram bailando. O ritmo penetra em nossas veias; a dança frenética faz a festa das nossas retinas, e nos damos conta que nossos corações estão batendo em uníssono com o maracatu: tum, tum, tum. Era Gil Santos e seus percussionistas (www.1Gil.com) que a partir daquele momento assumiam o comando da alegria. A apresentação se transformou num momento de indescritível alegria para todos.

Ondiña Gomez estava lá com seu menino, Nathaniel Gomez, e perguntamos a ela como soubera do evento e o que estava achando. Ela respondeu que soubera pelo boletim da Biblioteca e viera por ser apaixonada pela nossa música. Os olhos de Ondiña brilhavam quando a exibição de Gil Santos e seu grupo começou, mostrando para aquela platéia, como se toca e dança um maracatu. Ondiña ficou tão bem impressionada com tudo o que viu e ouviu, que no final da performance procurou o pessoal da Fundação Vamos Falar Português (www.vamosfalarportugues.org) que oferece aulas gratuitas de português para crianças e adultos. Definitivamente, Ondiña queria informar-se sobre como aprender a nossa língua.

A americana Martina Stearn declarou-se um pouco desapontada com a falta de sorte do DVD que se partiu no início da palestra, pois estava curiosíssima por ver imagens do Recife, “mas no final, o balanço foi positivo, valeu a pena ter vindo”, me disse com um amplo sorriso.

Entre os mais entusiasmados estava o contador americano, Charles Goodman, fanático pelo nosso futebol e pelo Brasil. Tudo o que testemunhava naquela tarde mágica era anotado para servir de material para o seu blog charlesg.buzznet. Perguntamos o que havia achado daquela terceira apresentação da Copa Cultural, Goodman foi categórico: “Foi a melhor”.

*Jornalista