Joel Stewart: Brasil precisa ser guardião firme de sua moeda

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Por Joel Stewart

O momento econômico mundial é complexo e sujeito a muitas variáveis. A cada dia recebemos mais informações e a nossa compreensão da situação vai alterando-se.

Após um período de crise nos Estados Unidos, observamos uma reação, no entanto, é difícil avaliar a continuidade da retomada da atividade econômica do país.

Na Europa, alguns países da comunidade europeia procuram equilibrar as finanças e encontrar o caminho da retomada do crescimento econômico e da redução do nível de desemprego. Em que pese os benefícios da criação da moeda comum, o euro também trouxe a falta de flexibilidade no câmbio. Esta falta de flexibilidade parece ser um dos fatores que mais dificultam o estabelecimento de políticas econômicas que contribuam na solução dos problemas que estes países enfrentam. A crise na Grécia e as dificuldades enfrentadas pela Espanha e outros países europeus, com reflexo nos mercados mundiais, são exemplos do presente momento na Europa.

Mas, enfim, tudo isso tem reflexos no Brasil. Na Europa e nos Estados Unidos tem havido aumento de liquidez nos mercados financeiros como parte dos esforços para incentivar a recuperação econômica. Parte deste dinheiro colocado nos mercados vai parar nos mercados dos países em desenvolvimento, sobretudo naqueles que têm demonstrado um desempenho mais consistente, entre eles o Brasil.

Mais recentemente muito se tem falado no Brasil do “Tsunami Monetário”, que é como a imprensa está referindo-se à nova injeção de dinheiro promovida na Europa como parte dos esforços para reerguer a economia na região. Uma parcela deste dinheiro vai acabar indo para o Brasil de uma forma ou de outra. Por isto vemos o governo brasileiro aumentando barreiras contra o ingresso de capitais indesejáveis atraídos pelos altos juros pagos no mercado interno brasileiro.

Investimentos no Brasil

O ingresso de investimentos estrangeiros no Brasil influencia o câmbio fortalecendo a moeda brasileira e tornando os produtos locais menos competitivos para exportação. O governo brasileiro, atento aos movimentos no câmbio, tem efetuado compras de dólares e agido em outras frentes de forma a conter a valorização do real.

É importante observar que o ingresso de investimento estrangeiro de longo prazo é um fator positivo para a economia brasileira pelos benefícios que traz ao desenvolvimento do país, mas como toda moeda tem dois lados, o fortalecimento do real tem que ser cuidado com atenção.

O ingresso de divisas e o desempenho da economia brasileira permitem ao país ter atualmente um nível de reservas financeiras que o qualificam como um porto seguro na economia mundial e atrai a atenção da comunidade internacional.

Como conseqüência, constatamos os benefícios de uma economia forte e de uma moeda mais estável para o país, evidenciados através do crescimento econômico sustentável.

Apesar do momento econômico mundial conturbado, o Brasil tem continuado na trajetória de crescimento e cada vez mais deve desempenhar um papel importante no cenário internacional e na formação de políticas globais, de forma a melhor refletir a posição do país que já é uma das maiores economias do planeta.