Jóquei baiano destaca-se nos EUA

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Ademar Souza dos Santos, em pouco tempo, já fez um bom nome no turfe americano

Por Eduardo Garcia
Especial

Se o hipódromo de Tampa Bays Downs seguisse a tradição olímpica, a bandeira brasileira teria sido hasteada quatro vezes no dia 22 de fevereiro, claro que ao som do hino criado por Francisco Manuel da Silva em 1831. E o medalhista de ouro foi Ademar Souza dos Santos, jóquei brasileiro, natural da Bahia, onde nasceu em 27 de agosto de 1975. North of Never, Media Lady, Summerlucky, Preocupied, Lost Soul, Tightend Touchdown, Destiny Joy, Lil’ Miss Tweety são alguns dos cavalos vitoriosos debaixo da condução de Ademar, para só citar alguns. E, pasmem, foram todos cavalos “azarões” (como se diz no Brasil) ou “longshot” (como se diz nos EUA). Isso quer dizer, no jargão do turfe, cavalos sem nenhuma chance, o que valoriza ainda mais seu desempenho.

Ademar nasceu numa fazenda e desde os cinco anos sua vida era montar em qualquer coisa que tivesse quatro patas: cavalos, garrotes (novilhos), bois, burros, mulas etc. Quando pequeno, por volta dos 8, 10 anos, um tio o colocou sobre um cavalo sem domar e disse que se não caísse já era homem. Não caiu, mas o cavalo disparou e Ademar bateu com a cabeça numa árvore, deixando uma marca de lembrança até hoje. Estava comprovada sua vocação. Aos 12 anos foi para o Rio de Janeiro e o sonho de ganhar a vida montando cavalos continuava.

Gilvan Guimarães e Arilda Barroso, incentivadores

Como sempre gostou de animais (sua vida era na roça) acabou conhecendo um jóquei chamado Gilvan Guimarães, que se tornou, podemos dizer, seu segundo pai. Gilvan o levou para um teste na escola de jóqueis do Hipódromo da Gávea. Desnecessário dizer que foi aprovado com louvor e algum tempo depois começou a montar no tradicional Jockey Club Brasileiro. Ademar foi considerado o “Aprendiz Revelação” do ano de 1993, que ficou marcado por sua primeira vitória profissional.

Arilda Barroso, irmã da lenda Albênzio Barroso um dos jóqueis mais vitoriosos do Brasil -, também foi uma importante incentivadora de Ademar no início de sua carreira. E ela entende disto, porque seu irmão liderou as estatísticas de jóqueis em São Paulo por mais de 20 anos.

Ademar sempre teve o apoio da família, apesar dos temores que sua profissão despertava. Não foram poucos os profissionais que literalmente deram a vida pelas corridas de cavalos. Como o turfe no Brasil não tem nenhum estímulo e os hipódromos mais parecem circos mambembes, veio tentar a sorte nos EUA. Veio de mala e cuia, junto com a mulher e os presidentes do seu fã-clube, Lucas, Gabriel e Rafael (seus três filhos).

O número de hipódromos daqui é muito elevado e as corridas acontecem todos os dias. Ademar já montou para quase todos os treinadores importantes daqui. Para só citar alguns: Chad Stewart, Anthony Granitz, Derek Ryan,Gerald Bennet, Ron Potts, Anthony Pecoraro, Robert Smith, Douglas Seyler, Sandra Cataldi, Gregory Griffith, Charles Fontana, Gery Jackson, James McCullough, Tony Lutchman, Julie Luhr, Mike Cimini, Bobb Raymond, Pedro Maestre, Maestre, Javier Negrete, Willian Philps, Heather Hollahan.

No fim deste mês, Ademar leva seu talento para a temporada do Canadá, onde vai montar cavalos de Amanda Gregory, Rod Conn, Tim Raycroft, Joan Petrowsky, Robbin Martens, Ernie Keller, Danny Jones, Dennis Hoffman, Mr, Kaltazia, Ron Scott, Al Strumecki, Albertino Diodoro, Donalda Cochrane, Floyd Arthur, E lige Bourne, Kelly, Dale Sander, Craig Smith, Rob Chabot, Deryle Mullayne, Lianne Knechtel, dentre outros top de linha.

Com certeza, deverá encantar o público canadense como já fez antes com os brasileiros e os americanos.