Jovem campeão de surfe é morto no Brasil após discussão com policial

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Rapaz, de 24 anos, morreu com dois tiros; Kelly Slater, maior atleta mundial do esporte, repercutiu a morte

DA REDAÇÃO COM G1

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Morte do surfista Ricardo dos Santos causa comoção no mundo do surf. No destaque policial acusado pelo crime

Uma discussão de rua motivou o assassinato do surfista catarinense Ricardo dos Santos, de 24 anos. Ele levou três tiros na segunda-feira (19) em frente à casa da família, na Guarda do Embaú, em Palhoça, Santa Catarina. O atleta passou por quatro cirurgias no Hospital Regional de São José, mas não reagiu aos procedimentos médicos e as hemorragias não cessaram, causando sua morte um dia após o ocorrido. O policial militar Luis Paulo Mota Brentano, de 25 anos, é o autor dos disparos.

Ricardinho, como era conhecido o atleta, era especialista em ondas pesadas e tubulares e famoso internacionalmente por diversos títulos.

Conforme depoimento de testemunhas à Polícia Militar, ele pediu para que o policial militar e um menor que o acompanhava – irmão do PM, segundo a polícia –, saíssem da frente da casa dele. De acordo com as testemunhas, eles estariam consumindo drogas. Houve discussão, e Ricardinho foi atingido por dois tiros entre o tórax e o abdômen.

Os familiares do esportista dizem que um dos homens teria estacionado o carro sobre um cano que faz parte de uma obra realizada na casa de Ricardo, o que teria motivado o pedido para que saíssem do local. A investigação apura as duas versões, conforme o delegado, Marcelo Arruda.

Além do policial militar, o irmão dele, menor de idade, foi apreendido. O agente público estava de férias, segundo a PM informou em nota. Conforme o texto, ele responderá inquérito administrativo, além do que foi instaurado pela Polícia Civil. O soldado, que está na corporação desde julho de 2008, pertence ao 8º Batalhão de Joinville, no Norte do estado.

Duas versões
O policial Luis Paulo Mota Brentano afirmou em depoimento que atirou para se defender. “Ele alegou legítima defesa. Disse que a vítima teria tentado agredir e que ele teve que se defender”, detalhou o delegado Marcelo Arruda, responsável pelo caso.

O policial manteve a versão apresentada também pelo irmão, um menor que estava junto com ele no momento da discussão. O garoto foi liberado.

O advogado do policial militar suspeito de ter assassinado o surfista afirmou que os disparos foram “simplesmente para assustar, e não para acertar”.

Gilmar Schelbauer, que defende o PM, sustenta a tese apresentada por Bretano e pelo irmão dele, menor de idade, com quem estava na hora dos disparos. Segundo o advogado, após uma discussão, a vítima teria voltado com um facão para se defender.

“Ele `o PM` já estava indo embora e a vítima `Ricardinho` teria investido contra ele. Os disparos foram efetuados simplesmente para assustar, e não para acertar”, afirmou Schelbauer.

Repercussão internacional
Na terça-feira, dia em que foi confirmada a morte do atleta, surfistas que estavam em Pipeline, no Havaí, realizaram uma homenagem a Ricardo dos Santos, logo que souberam da morte do brasileiro na tarde desta terça-feira. A imagem da roda no mar foi registrada pelo fotógrafo Bidu Correia e testemunhada pelo surfista mais vitorioso de todos os tempos, o americano Kelly Slater. Na rede social, o onze vezes campeão mundial escreveu um texto em memória ao brasileiro, ressaltando o fato que Ricardo era um dos maiores pegadores de tubo do mundo. O chamou de “amigo” e lamentou o alto índice de assassinatos no Brasil, resultado, segundo ele, da “falta de educação, pobreza e drogas”.

“Uma manhã bonita, mas estou horrorizado ao perceber que todo mundo estava remando para o outside em Pipeline para formar um círculo e homenagear a memória do meu amigo Ricardo dos Santos, que faleceu no hospital após ser baleado três vezes no Brasil. Essa foi uma perda sem sentido de vida. Infelizmente, o que aconteceu traz à luz o número de assassinatos no Brasil, que são mais de 50.000 oficializados, além de muitos outros que não são declarados. Falta de educação, pobreza e drogas não fazem uma boa mistura e torna a vida um desafio no país, um dos mais belos lugares que já fui.”

Os principais surfistas brasileiros também homenagearam Ricardinhos nas redes sociais. Gabriel Medina, Silvana Lima, Mineirinho entre outros escreveram sobre o especialista em ondas grandes e expressaram pesar diante de sua morte.