Jovem venezuelano obtém residência depois de ter sido deportado

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Mãe lutou bravamente para trazer seu filho de volta da Venezuela

Juan José Correa Villalonga se converteu em uma das poucas pessoas que foram deportadas para seus países de origem e teve permissão para voltar aos Estados Unidos.”Sinto-me sortudo por isto”, declarou Juan. “Sei que há muitas pessoas que estão sendo separadas de sua família e não conseguem voltar a se reunir, para mim isto foi uma benção”.

Sua mãe, Helene Villalonga, é uma conhecida ativista pelos direitos humanos e crítica do governo de Hugo Chávez. Quando Juan tinha 11 anos, em 2000, a família fugiu da Venezuela por terem sido vítimas de uma perseguição política. Nos Estados Unidos, pediram asilo político, mas foram enganados por dois advogados que não os representaram corretamente e no final a petição foi negada.

Juan se formou em 2007 com honra no High Schooll e recebeu várias bolsas. Foi aceito na FIU, mas por ser indocumentado não teve acesso ao dinheiro de suas bolsas. Apenas cursou o primeiro semestre de Psicologia e teve de parar por falta de dinheiro. Então decidiu ir para o Canadá, onde também obteve bolsas em várias universidades.

Dirigiu por seis dias e estava perto da fronteira com o Canadá quando, em 27 de junho de 2009, foi parado em Vermont e detido por um agente da patrulha rodoviária. “Você sabe que tem uma ordem de deportação?”, perguntou o policial, mas Juan não entendia do que se tratava. “Expliquei que minha família tinha um caso de asilo aberto, mas aí fiquei sabendo que nos haviam colocado uma ordem de deportação e o advogado nunca nos avisou”.

Pesadelo nas prisões

Passou por três presídios em dois meses, apesar de sua família ter advertido as autoridades de imigração sobre o perigo que representava para Juan voltar à Venezuela. Uma noite de agosto, porém, foi deportado sem ter tempo de avisar ninguém.

Chegou a Caracas às 5 da manhã com $195 no bolso. Juan lembrou-se dos números de telefones de familiares na Venezuela, os de sua tia Vivian e sua avó Blanca. “Eu não sabia nada sobre Caracas porque nunca havia estado lá”, contou Juan, cuja família é da cidade de Valência, a oeste da capital. “Sabia apenas que é uma das cidades mais perigosas da América do Sul”.

Durante os dois anos que Juan esteve na Venezuela, Helene lançou uma campanha para demonstrar que a vida de su filho corria perigo.

Na Venezuela, Juan recebeu e-mail com ameaças, revelou. Um dia, enquanto estava sozinho na casa de sua tia, sentiu que alguém entrou pelo quintal. Quando foi checar se tudo estava bem, encontrou três homens armados com camisas e bonés vermelhos “Eles mandaram uma mensagem para minha mãe, que eu dissesse a ela que era uma traidora da pátria e que devia voltar para ser presa”, contou o rapaz.

Agressão

Depois, um dos homens lhe deu uma coronhada. Juan caiu no chão, tonto e sangrando. “Mas fui forte e pude aguentar o sangue e chamar a minha tia que me levou para o hospital”, disse. Recebeu sete pontos no lado esquerdo do rosto. A partir daí, ficou trancado na casa. Deixou seu trabalho como ajudante na oficina mecânica de seu tio, e não visitava seus familiares por medo de por suas vidas em perigo.

No fim, Helene pôde convencer as autoridades de imigração de que a vida de seu filho estava em risco se permanecesse na Venezuela e conseguiu que o deputado democrata Luis Gutiérrez e a republicana Ileana Ross Lethinen advogassem em favor de Juan e eles pediram uma agilização de seu caso. “Não ia me dar por vencida nem ficar calada”, disse Helene. “E espero que meu caso sirva de exemplo para outras famílias”.

Em 2011, Juan pôde regressar para o sul da Florida para se reunir com sua família. Durante uma entrevista no aeroporto de Miami, o agente de imigração que atendeu Juan lhe pediu que mostrasse as cicatrizes dos golpes. “Depois me disse: bem-vindo à casa”, lembrou Juan. “Antes deste momento ainda tinha medo porque pensei que podiam me mandar de volta”.

Agora o jovem quer voltar a estudar, mas está tratando de se recuperar dos traumas das prisões, e do sufoco que passou durante o tempo que permaneceu na Venezuela. Ter uma residência permanente lhe dá um pouco de paz, disse. “Só uma pessona que é privada de sua liberdade, sobretudo sem cometer um delito, sabe como se sente”, afirmou Juan. “Finalmente, sinto-me que pertenço a um lugar, que não preciso ter medo de ser detido, que não vivo em um limbo”.