Justiça dos EUA inicia investigação sobre pagamento de propinas na Petrobras

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País investiga irregularidades já que papéis da companhia são negociados em New York

DA REDAÇÃO COM G1 E O GLOBO

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos resolveu abrir uma investigação criminal contra a Petrobras por conta das denúncias de corrupção na companhia que vêm sendo divulgadas na imprensa brasileira. A informação sobre o início de uma investigação pelos EUA são do jornal britânico especializado em economia Financial Times. De acordo com a reportagem inglesa, as autoridades dos Estados Unidos estão investigando se a estatal ou funcionários da empresa receberam de fato propina.

Além da investigação criminal, a Petrobras também seria, ainda de acordo com o “FT”, alvo da Securities and Exchange Comission (SEC) dos EUA. Esse é o órgão que regula o mercado de capitais no país e, como a Petrobras tem papéis negociados nos mercados de Nova York, existe o interesse dos EUA nas denúncias.

Ainda segundo o “FT”, as autoridades dos EUA querem saber se a Petrobras, seus funcionários ou intermediários violaram o Ato de Práticas Corruptas Estrangeiras, um estatuto anti-corrupção que considera ilegal subornar oficiais estrangeiros para conseguir ou manter negócios.

A publicação aponta que o Departamento de Justiça, a SEC e a Petrobras foram procurados, mas não responderam a pedidos para comentar o assunto. Em resposta a questionamentos feitos anteriormente pela Comissão de Valores Mobiliários brasileira, a Petrobras informou que criou comissões internas para averiguar “indícios ou fatos contra a empresa”.

A Petrobras está no centro das investigações da operação Lava-Jato, da Polícia Federal. O esquema, segundo a PF, foi usado para lavagem de dinheiro e evasão de divisas que, segundo as autoridades policiais, movimentou cerca de R$ 10 bilhões. De acordo com a PF, as investigações identificaram um grupo brasileiro especializado no mercado clandestino de câmbio.

Os principais contratos sob suspeita são a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, que teria servido para abastecer caixa de partidos e pagar propina, e o da construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, da qual teriam sido desviados até R$ 400 milhões.

Na segunda-feira (10), o vice-presidente do Brasil, Michel Temer (PMDB), comentou o assunto. Temer minimizou à imprensa a abertura de investigação pelos EUA. Para ele, a disposição de apurar irregularidades na estatal é a mesma do governo brasileiro, “doa a quem doer”, como já disse em inúmeras ocasiões, e inclusive na recente campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff. “A Constituição brasileira determina a autodeterminação dos povos. Se os Estados Unidos abriram investigação, têm que seguir, aliás, como o Brasil está fazendo. A expressão doa a quem doer é muito correta em relação às investigações que já estão sendo feitas pelo governo federal”, disse ele, em São Paulo.