Ken Jenne renuncia

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Sheriff de Broward deixa o cargo pressionado por acusações de sonegação de impostos

Ken Jenne não é mais o sheriff de Broward. Ele decidiu deixar o cargo nesta terça-feira, pressionado por investigações conclusivas de sonegação de impostos e violação de correspondência. A renúncia de Jenne e a indicação de que ele vai se declarar culpado destes crimes vão livrá-lo de outras acusações ainda mais graves – como lavagem de dinheiro e corrupção – mas não devem impedir que ele seja levado para a prisão: ele deve ficar atrás das grades por um período de até dois anos e ainda terá de pagar uma pesada multa e os impostos atrasados, além de perder sua carteira de advogado e a pensão que ele receberia como funcionário público.
Jenne era sheriff de Broward desde janeiro de 1998 e era responsável pelo policiamento de 14 cidades e por um orçamento anual de 696 milhões de dólares. Apesar do poder, o prestígio e a imagem de Jenne começaram a desmoronar em 2005, quando uma série de reportagens nos jornais do sul da Flórida davam conta de ele havia recebido dinheiro de empresas por um trabalho de “consultoria na área de segurança”. Além disso, teria ganho mais de um milhão de dólares com seu escritório de advocacia, mas os rendimentos submetidos na declaração do imposto de renda não correspondiam a estes valores.
Na manhã desta terça-feira, ele enviou um e-mail aos funcionários do Broward Sheriff’s Office comunicando sua decisão: “Hoje deixo o serviço público. Preciso dar mais atenção à minha família e a mim mesmo”, disse, lacônico, na mensagem. Para muitos, a renúncia encerra um ciclo. Vale dizer que o democrata Ken Jenne era uma das figuras políticas mais importantes da Flórida.
O nome do substituto de Jenne será escolhido pelo governador do estado, Charlie Crist. Nos próximos dias, ele deverá indicar um nome para ocupar o cargo interinamente, mas o futuro sheriff só deverá ser conhecido na semana que vem. “O governador quer tomar a decisão certa, o mais rápido possível, com base em méritos e qualificações. Esta não será uma decisão política”, disse o porta-voz do republicano Crist, Erin Isaac. Quem quer que assuma a posição, terá mandato até janeiro de 2009, até a próxima indicação.