Latinos denunciam abusos e perseguições

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Clima antiimigrante prejudica comunidade hispânica no Arizona

O clima antiimigrante tomou conta da cidade de Tucson, no Arizona. Famílias hispânicas que vivem na região têm denunciado que sofrem preconceito por parte dos proprietários e administradores das residências onde moram, bem como dos demais moradores. “Estamos vulneráveis”, admitiu Liliana González, uma imigrante mexicana.

Ela conta que seu problema começou em outubro, quando passou a ser acusada de atrasar o pagamento do aluguel por parte do administrador do condomínio em que vive. Mesmo estando em situação irregular no país, ela levou o caso à Justiça, para evitar o despejo. “Isso não está certo”, lamentou Liliana, que já recebeu a notificação e é mãe de duas crianças. A mexicana acredita que a administração tomou a atitude por preconceito e interesse financeiro: “Eles querem vender ou alugar mais caro para outras pessoas e pensaram que, como imigrante, eu não correria atrás dos meus direitos”, disse.

Outras famílias da comunidade latina também se queixaram de abusos semelhantes. Muitos afirmaram também que os administradores costumam implicar com questões até mais banais: “Alguns têm sido multados porque as crianças deixam os sapatos do lado de fora da porta ou porque esqueceram a tampa de lixo fora do lugar”, revelou Yaya Ruiz, da Rede de Ação Fronteiriça, que já documentou 81 incidentes de abusos contra imigrantes no Arizona, somente no último trimestre do ano passado. “As multas são excessivas e inexplicáveis”, criticou Ruiz, para quem há um nítido clima antiimigrante em Tucson. O ativista acrescenta que também há muita intimidação e abuso verbal contra as mulheres e crianças latinas.
Outra integrante de um grupo de defesa aos imigrantes no Arizona, Rosalía Romero, do comitê ‘American Friend’s Service’, atribuiu a discriminação à implementação de leis contra os indocumentados.