Lilian Viana

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Antonio Tozzi

Quem a conhece pode achar que ela é jornalista. Não está errado. Outros, no entanto, podem pensar que ela é uma executiva de marketing. Também estão corretos. Há, ainda, quem a imagine como atriz. Podem estar antevendo o futuro. Entretanto, há quem a veja como cantora. Estes estão certíssimos!

Lilian Viana é tudo isto e mais um pouco. Desde pequena, estava à frente das câmeras em Belo Horizonte, sua cidade natal. Aos nove anos de idade, já possuía uma agenda de adulta, com apresentação de um programa infantil numa emissora de TV local. Isto, porém, não a impediu de dedicar-se aos estudos e ser uma boa aluna.

Dona de um espírito inquieto, Lilian sempre desenvolveu carreiras paralelas. Por ter nascido com o dom de cantar, apresentou-se em bares e night clubs de BH, teve a própria banda e participou de festivais de música locais, como o Festival Fiat Minas e o Festival MPB Minas, promovido pela Rede Bandeirantes, onde ganhou o prêmio de melhor intérprete. Em 1982, integrou o projeto Cristal Musical, organizado pelo cantor Oswaldo Montenegro, que reunia talentos locais para desenvolver atividades de música, dança e teatro. Era um projeto itinerante realizado em várias cidades brasileiras.

Entretanto, por ser em um período de vestibular, Lilian não pôde dedicar-se totalmente ao grupo. “Na época, estava preocupada em entrar na faculdade de Marketing e Propaganda. Porque, mesmo adorando cantar, temia que não pudesse me manter apenas com minha arte”, lembra. Além do mais, ela julgava Minas Gerais um campo restrito e, se quisesse ter sucesso na carreira, deveria ir para Rio de Janeiro ou São Paulo.

Nesse meio tempo, começou a dedicar-se à sua profissão. E mais uma vez sua obstinação rendeu frutos. Tornou-se empresária do segmento de promoções e eventos em Belo Horizonte, conquistando contas de grandes empresas e realizando treinamento de demonstradoras. A empresa cresceu tanto que passou a exigir investimentos para a montagem de uma estrutura física. O Plano Collor e seu desejo de se mudar para os Estados Unidos, onde já morava sua irmã, sepultaram os planos. “Já tinha idéia de vir para os EUA a fim de aprimorar meu inglês e fazer um curso de especialização em Marketing. O Collor me deu o empurrão que faltava”.

Flórida. Pela primeira vez em sua vida, deixou Belo Horizonte para viver só em outra cidade. Miami foi a escolhida. Como recém-chegada, precisava fazer algo para ganhar dinheiro. Aí, a música ressurgiu com força em sua vida. E as casas noturnas da cidade ganharam uma nova cantora de MPB: Lilian Viana. Ela se apresentava no Esquina Carioca, no Copacabana Night, no Berimbau e abriu o Ipanema Grill, juntamente com os músicos Ramatis Moraes e Roberto Becker.

Novamente, seu espírito aventureiro fez com que sua vida tomasse outros rumos. Depois de ter conhecido o jornalista Cláudio Pereira, do Brazil Review, pediu emprego a ele durante o dia para desenvolver um trabalho na área de Marketing do jornal. Afinal, Marketing & Propaganda era sua área de atuação profissional e fôra para isto que viera aos EUA. Seria uma excelente experiência e uma forma de desenvolver outra atividade, pois estava com disponibilidade de tempo.

No entanto, o que seria um relacionamento profissional evoluiu para amor e os dois se casaram. Lilian passou então a ser dona de jornal – mais uma atividade ao seu extenso curriculum. Responsável pela parte comercial da publicação, ajudou o Brazil Review (na época uma referência na comunidade brasileira) a crescer e a paixão pela música passou para o segundo plano.

Após um período de pujança, aconteceu o inesperado. A morte de Cláudio Pereira, vítima de câncer. Lilian ainda continuou à frente do jornal por mais um tempo, porém a carga emocional e de trabalho foram muito fortes e a publicação deixou de circular. Logo, outra oportunidade de carreira se abriu para Lilian, que passou a ser coordenadora de marketing de um Centro de Medicina Alternativa, em Miami. Fez de tudo um pouco lá, aprendeu até mesmo design gráfico.
O retorno. Porém, o mundo musical pedia o retorno de Lilian Viana. O que aconteceu na cerimônia de premiação do Brazilian Press Award, em 1998. A partir daí, passou a viver apenas de sua voz. Seja cantando ou fazendo dublagens para programas americanos exibidos no Brasil. Ou apenas com sua presença, pois tem participado como extra de alguns filmes e séries realizados no Sul da Flórida.

Como na vida, o sucesso é a soma de competência com a oportunidade, Lilian soube agarrar mais uma vez a sua, conforme conta: “Há três anos e meio, o Cesar Santana foi contratado para fazer um show de Reveillon por Jimmy Stow, para substituí-lo em um evento. Mas, pediu que a banda trouxesse uma cantora. Ele, porém, disse ao Cesar que queria antes ver e ouvir a cantora. Fiz o teste e fui aprovada.”

Mais do que isto. Jimmy gostou tanto de Lilian Viana que a convidou para integrar sua própria banda: The Stowaways. Hoje, ela viaja com a banda americana por todo o país e também para o exterior, cantando um repertório que inclui canções de Gloria Gaynor, Sade, Gloria Estefan, Madonna e outras. Melhor ainda, ela sempre interpreta algumas canções em português da MPB, principalmente Bossa Nova, que os americanos adoram.

Ela já cantou para 12 mil pessoas em um tributo a Jimmy Buffet, em Albany, capital do estado de Nova York. “É uma experiência incrível”, garante. Aliás, todos os integrantes da banda são amigos de Jimmy Buffet, autor do hino informal da malemolência americana, “Margaritaville”.

Diante disso, ela faz questão de deixar uma mensagem aos brasileiros: “Não pensem que abandonei a comunidade. Na verdade, estou divulgando ainda mais a MPB, cantando em português nossas canções. Considero isto muito importante”.

Agora, seus planos incluem uma dedicação maior à arte de interpretação, porque seu espírito indômito não contempla sossego. Enquanto as telas não ganham uma nova atriz, o jeito é curtir Lilian Viana. Só não sabemos se o melhor é fechar os olhos e sentir a força de sua voz ou abrir bem os olhos e se deliciar com seu jeito sexy e encantador.