Lula ‘colloriu’

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Presidente critica antecessores, mas elogia Fernando Collor

Os interesses políticos são capazes de apagar qualquer mágoa do passado. Que o digam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o atual senador Fernando Collor de Mello (PTB), que esta semana ocuparam um mesmo palanque durante a inauguração de uma adutora em Palmeira dos Índios, a cerca de 134 km de Maceió: os dois trocaram elogios e os maiores afagos partiram de Lula.

“Eu quero fazer justiça ao comportamento do senador Collor, que tem dado uma sustentação muito grande aos trabalhos do governo no Senado”, afirmou o presidente. Lula aproveitou para criticar o que chamou de “política de compadrio”, segundo ele praticada por governos anteriores ao seu, que não conviviam bem com as lideranças estaduais de partidos políticos distintos. Collor retribui as palavras com um sorriso amável e depois com mais elogios nas entrevistas à imprensa.

Quem não se lembra dos debates protagonizados entre os então candidatos à presidência no pleito de 1989, a primeira eleição direta para a Presidência da República depois da ditadura militar? A campanha, vencida por Collor, foi marcada por ataques pessoais mútuos, provavelmente sem precedentes na história política brasileira. Collor, à época, chamou Lula de despreparado, insolente e chegou a apresentar em um de seus programas uma ex-namorada de Lula para acusá-lo de ter lhe pedido que abortasse a filha dos dois, Lurian.
Lula, por sua vez, chamou o então governador de Alagoas de mentiroso e de “Caçador de maracujás”, numa alusão ao apelido de Collor (‘caçador de marajás’). Embora os dois tenham garantido que não poderia haver reconciliação, o episódio recente mostra que o jogo político tratou de apagar a memória de ambos.