Mãe de David Britto declara-se culpada ao juiz

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Ela decidiu assumir a culpa pelo crime de conspiração ao ajudar seu filho a fugir

Num exemplo extremo de amor de mãe, Janiber Vieira, de Coral Springs, declarou-se culpada, nesta segunda-feira (17/10), de ter ajudado seu filho a fugir do país e agora ela está sofrendo as consequências de encarar um julgamento em vez dele ser julgado por acusações de tráfico de drogas.

Janiber Vieira, de 51 anos, deve ser condenada em 21 de novembro por uma corte federal pelo crime de conspiração. Ela pode pegar até cinco anos de prisão por comprar para David Britto, um ex-policial de Boynton Beach, de 28 anos, uma passagem de avião somente de ida de Miami para o Brasil no dia 23 de agosto. Ele embarcou no voo no dia seguinte e agora é um fugitivo internacional, procurado por tráfico de metanfetaminas. Este crime pode levar à prisão perpétua.

“Ela estava tentando salvar seu filho”, disse a advogada de defesa Margot Moss numa entrevista depois da audiência perante o juiz federal do Distrito, William P. Dimitrouleas. No fim, a mãe de Britto pode terminar cumprindo a pena no lugar dele. Como brasileiro, ele dificilmente sera extraditado para os Estados Unidos.

No acordo feito com a Justiça, os promotores públicos descartarão duas acusações adicionais contra Vieira por desacato ao tribunal e por ter mentido aos agentes do Drug Enforcement Administration – divisão policial que investiga crimes envolvendo tráfico de drogas – sobre o paradeiro de Britto.

Os advogados de defesa de Janiber Vieira esperam que seja considerado o tempo que ela vem cumprindo como detida e argumentam que ela fez o que qualquer outra mãe devotada faria: resgatar um filho de um problema.

Perguntada se achava estarem os promotores sendo zelosos em demasia ao acusar a mãe de Britto, a advogada respondeu: “Não tenho dúvidas que eles estavam bem irritados com ele, mas não acho que estavam descontando a ira em cima dela”. E completou dizendo que ela não pode sequer ajudar as autoridades na captura do filho: “Ela não sabe onde ele está”. O U.S. Marshals Service continua a persegui-lo, disse ontem um porta-voz.

Britto, que estava livre sob fiança, entregou seu passaporte americano à corte. Mas, em meados de agosto, foi ao consulado brasileiro em Miami e obteve uma ARB (Autorização de Retorno ao Brasil). Os funcionários do consulado não sabiam que ele estava aguardando julgamento. Britto estaba sob toque de recolher das 11 da noite às 7 da manhã, e livre para ir e vir dentro do sul da Flórida. No dia 24 agosto, ele cortou a tornozeleira eletrônica de monitoramento e escapou do país.

A ausência de Britto, especificamente sua falta de cooperação em retornar e pedir misericórdia para sua mãe, deixou muita gente atônita. Entretanto, Margot Moss admitiu que, mesmo com o retorno dele, dificilmente o governo isentaria Janiber Vieira de sua cumplicidade.

Antes da condenação, os agentes de custódia efetuarão uma investigação sobre o comportamento de Vieira e recomendarão uma pena apropriada para o juiz, baseada na natureza do crime e nos seus antecedentes. Ela disse ao juiz que nunca havia cometido um crime antes. Diante disto, os advogados de defesa acreditam que ela cumprirá a pena de um ano de prisão.

Dimitrouleas alertou Vieira de que ele pode ou não ratificar a recomendação de sentença e poderia dar a ela desde uma prisão domiciliar até cinco anos de prisão e uma multa de $250,000, dependendo daquilo que ele considera justo. O juiz perguntou a ela várias vezes se ela entendia o significado de se considerar culpada. “Sim, senhor”, respondeu a brasileira, que também possui cidadania americana.

Janiber Vieira parecia calma e não falou muito no tribunal. Antes do início da sessão, ela sorriu e mandou um beijo para seus outros três filhos adultos.

Vieira foi presa por agentes federais no dia 2 de setembro no Aeroporto Internacional JFK em New York, quando se preparava para embarcar num voo para o Brasil. Margot Moss disse que ela não estava tentando juntar-se ao filho, mas, sim, fazendo uma de suas frequentes viagens para ver um médico, comprar remédios para depressão e atender sua mãe que está doente. “Ela não ia fugir”, garantiu a advogada.

Se a ex-faxineira Janiber Vieira tivesse ido a julgamento, seus advogados teriam apostado na escolha de um júri simpático, pronto para absolver uma mulher desesperada para ajudar seu filho. “Ela é culpada de ser uma boa mãe”, disse David Oscar Markus, outro de seus advogados.