Mãe paga fiança mas presa não é liberada

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Nara Fleitas, mãe de Luana Santos, cobra explicações das autoridades policiais de Broward

Isto é o que se pode chamar de uma história triste. Em outubro de 2010, a gaúcha Luana Santos foi presa após tentar vender oxycodone para policiais disfarçados de viciados em drogas. O flagrante ocorreu no estacionamento da agência dos Correios em Deerfield Beach. Para piorar, os policiais ainda apreenderam alguns papelotes de maconha.

A partir daí, começou o drama de Luana e de sua mãe, Nara Fleitas, que vem empreendendo uma luta titânica para tirar sua filha da cadeia. Desesperada com o caso, ela procurou a redação do AcheiUSA em busca de ajuda.

Aliás, a situação não poderia ser mais desoladora. Inicialmente, Luana, de 25 anos de idade, foi levada para a cadeia principal do condado de Broward. No entanto, como o local não possui acomodações para mulheres, ela foi transferida para a unidade localizada na Powerline, perto da Martin Luther King Ave. Lá, pelo menos, ela está sendo bem tratada. No outro local, ela ficou uma semana tendo de dormir no chão e sem poder tomar banho, conforme contou Nara.

O calvário continuou depois de a moça ter comparecido à Corte. A juíza arbitrou a fiança de Luana em $1,250,000, quantia exorbitante para Nara. A mãe pediu, então, clemência e a magistrada reduziu a fiança para $250,000. De nada adiantaram os apelos para que ela baixasse mais o valor. Ela se manteve irredutível e ainda por cima confiscou o passaporte brasileiro de Luana.

Coube a Nara a missão de arranjar pelo menos $25,000 para que sua filha deixasse a cadeia. Depois de muita luta, consegui reunir o dinheiro e fiz o depósito no último dia 17 de outubro. Fiquei sabendo posteriormente que ela tinha uma pendência com a Corte de Miami, então fui até lá e paguei a fiança de $5,000 para ela ficar liberada para sair. Para minha surpresa, ela continua presa e ninguém me dá uma explicação convincente, protesta Nara.

Imigração pode ser o fator

Vivendo há 10 anos nos EUA, Luana tem uma filhinha de cinco anos com seu primeiro marido, um rapaz brasileiro. O casamento, porém, não deu certo e ela se casou novamente, desta vez com um cubano, em agosto do ano passado. Por ter cidadania americana, ela teria como obter o green card pelo atual marido. Sua prisão, todavia, interrompeu o processo e ela evidentemente não tem a menor chance de permanecer no país após ter cumprido sua pena.

Isto na verdade já não preocupa mais nem Luana nem sua mãe, que vive legalmente no país juntamente com suas outras duas filhas. Exatamente este problema imigratório parece estar sendo o principal impedimento para a liberação de Luana. A informação que recebi foi a de que, após o pagamento da fiança (efetuado em 17/10), o Serviço de Imigração tem 48 horas para buscá-la. Passado este prazo, se ninguém compareceu, automaticamente ela deveria ter sido solta, questiona Nara.

Para esclarecer a situação, a reportagem do AcheiUSA entrou em contato com o Broward Sheriff Office (BSO). O tenente William Carter fez o levantamento do caso e disse que ela tinha, sim, três holds, que a impediam de deixar o cárcere. Os outros dois foram equacionados os pagamentos das fianças referentes aos problemas com a lei em Broward e Miami -, mas o hold solicitado pelo Serviço de Imigração permanece. Ou seja, ela precisa que um advogado de imigração entre em contato com o BSO.

Novamente, Nara demonstra sua irritação: Fui informada de que a Imigração não pega pessoas que estão com tornozeleira eletrônica em função de outros problemas com a Justiça. Ou seja, estamos no limbo. Pagamos a fiança e ela deveria ser libertada, até porque Luana nem tem para onde ir a não ser a casa dela, uma vez que pela lei ela está proibida de sair de casa e será monitorada através do equipamento eletrônico.

Entrevistada pelo pessoal do pre-trial

O caso ganha contornos de uma novela kafkiana uma vez que Luana comentou com sua mãe ter sido entrevistada por pessoas que integram o serviço de pre-trial da Justiça, na última terça-feira. Eles pediram todas as informações sobre Luana, endereço e tudo o mais e imaginou-se que ela seria libertada, mas até agora nada se resolveu, protestou Nara.

Até agora isto tem-se tornado um pesadelo para a mãe que já gastou quase $50 mil e está com a situação pendente. Ela sabe que o crime de tráfico, pelo qual Luana foi presa, não tem perdão e sequer a filha pretende fugir de suas responsabilidades com a Justiça. Apenas queremos que ela saia da prisão e fique em casa para poder ajudar a cuidar de sua filha, que está sentindo falta de Luana, suplicou a mãe da brasileira.

Ou seja, ela está aguardando ainda a sentença, mas tanto mãe como filha já decidiram que Luana assuma a culpa pelo crime e cumpra a sentença, se possível, em liberdade condicional, mesmo sob custódia da Justiça, configurada pela tornozeleira eletrônica de monitoramento. Fugir? Nem pensar! A mãe sabe que, se Luana fizer uma loucura destas, é ela quem vai ter de responder à Justiça por seu ato.

Para não dizer que todo este tempo passado na prisão foi em vão, Nara mostrou o diploma de conclusão de high school e de outros cursos que Luana obteve enquanto está enclausurada. Além disto, ela se tornou amiga tanto dos outros presos como dos guardas responsáveis pela manutenção da ordem na prisão. O irônico é que ela nem pode usar o bom comportamento como atenuante porque ainda não foi decidida qual será sua sentença, comentou frustrada a mãe da brasileira.

O duro é que depois de ter gasto $18 mil com honorários dos advogados criminais ela continua sem saber como proceder para resolver a questão. Fico andando em círculos; os advogados criminais querem me cobrar mais $2 mil por causa do caso de Miami e não estão demonstrando vontade de resolver o problema; os advogados de imigração dizem que não querem pegar meu dinheiro porque o caso está na esfera criminal, e eu fico sem saber o que fazer, comentou desolada.

Nara só deseja uma coisa: que sua filha seja solta e possa cumprir a pena em prisão domiciliar. Após se encerrar o período de sua pena, Luana voluntariamente deixará os Estados Unidos e retornará ao Brasil.