Histórico

Maioria de eleitores republicanos apóia reforma imigratória integral

Três em cada quatro eleitores republicanos apóiam uma reforma imigratória que inclua uma via para a legalização dos indocumentados igual à proposta do presidente dos EUA e do Senado, segundo pesquisa

Os americanos colocam a imigração ilegal como a segunda questão que mais influirá em seu voto nas eleições legislativas de novembro, atrás somente da guerra do Iraque, de acordo com uma pesquisa do Fórum de Imigração Nacional e do conservador Instituto Manhattan entre pessoas que estão pensando em votar.

O estudo divulga uma opinião muito negativa sobre o Congresso, com 70 por cento dos entrevistados considerando que os legisladores não estão fazendo um bom trabalho no debate imigratório.

Esta percepção pessimista encaixa-se dentro da má avaliação que os entrevistados fazem da situação geral do país, na qual mais de 62 por cento dos pesquisados acha que “está indo pelo mau caminho”.

No total, 71 por cento dos eleitores considera ser necessário abrir um programa de legalização para os indocumentados que trabalhem, paguem seus impostos, aprendam inglês e esperem sua vez para regularizar sua situação.

Estas são as linhas mestras da proposta de reforma imigratória aprovada pelo Senado em maio e que agora deve ser conciliada com o projeto da Câmara de Deputados, que se concentra em medidas mais restritivas.

O presidente dos EUA, George W. Bush, tem dado respaldo desde o começo à iniciativa sugerida pelo Senado, que prevê a criação de um programa de trabalhadores temporários.

A urgência por uma solução rápida chega até ao ponto de que 55 por cento desejam que seja aprovada uma lei mesmo contendo aspectos dos quais não gostem, como anistia aos indocumentados.

Tamar Jacoby, do Manhattan Institute, explicou em entrevista à imprensa que um passo em falso neste debate poderá representar “um grande risgo de perda de votos”, por isto os políticos não querem arriscar-se a sujar sua imagem a poucos meses das eleições em que será renovada a totalidade da Câmara de Deputados e um terço do Senado.

Em qualquer caso, os números da pesquisa refletem que a demora na aprovação de uma lei pode cobrar uma fatura aos dois partidos, pois 60 por cento consideram que ambos são responsáveis pela parada.

A aspereza dos termos que têm sido utilizados no debate tem molestado especialmente a comunidade de hispânicos nos EUA. Para a metade deles, tem sido utilizadas em algumas ocasiões expressões muito duras ao referir-se aos imigrantes ou aos hispânicos. Por isto cerca de 69 por cento dos hispânicos assegurou que este menosprezo os leva a considerar a possibilidade de não votar nos republicanos.