Mais um golpe na praça

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Brasileiro da Flórida é acusado por conterrâneos de extorquir dinheiro com falsa promessa de emprego

A crise tem feito com que a nossa comunidade busque, com criatividade, maneiras de ganhar a vida e sobreviver. Mas infelizmente algumas pessoas vêm tentando fazer dinheiro de maneira ilícita e às custas da boa-fé dos conterrâneos. Este parece ser o caso de um homem que se identifica como Sergio Oliveira: ele publicou anúncios em jornais oferecendo oportunidade de emprego a brasileiros na área de limpeza de escritórios e, para garantir a vaga dos interessados, cobrava uma quantia em dinheiro.

Pode parecer ingênuo, mas no mínimo dois brasileiros caíram na cilada armada pelo suposto Sergio, que se apresentava como intermediário da empresa contratante: uma delas, a carioca L. (que preferiu não se identificar) chegou a fazer o depósito de 300 dólares em uma conta no Citibank, pensando que finalmente tinha conseguido encontrar um emprego. “A proposta era muito boa e eu não queria perder a chance de ficar com a vaga, numa época tão difícil”, justificou L.

Ela e o marido foram visitar o tal escritório, na esquina da Yamato Road e a Federal Highway, em Boca Raton, mas deram com a cara na porta. Ninguém conhecia Sergio algum e só então o casal percebeu que tinha sido vítima de um golpe. “Estou há tantos anos aqui na América e agora caí numa cilada barata”, lamentou L., sem contudo entregar os pontos. Ela conta que foi à polícia para denunciar o caso, mas nada pode ser feito, já que ela depositou o cheque voluntariamente. Mesmo assim, L. quer reaver o dinheiro, nem que tenha que entrar na Justiça.

Outra vítima

Outra que acabou enganada pela lábia do brasileiro foi a mineira J., que mandou pelo correio 200 dólares em cash. “Tive que pedir dinheiro emprestado a amigos para dar a este safado. Não tenho como provar que fui enganada, mas ele não vai sair impune”, disse a mineira, acrescentando que fez a denúncia ao jornal porque não quer ver outros brasileiros caindo no mesmo golpe.

A reportagem do AcheiUSA tentou contato com Sergio, mas ele não respondeu aos recados. A conta usada no Citibank foi a de número 9115286439.

Prática é comum na comunidade

Infelizmente a dobradinha ingenuidade-ganância tem multiplicado o número de golpes entre imigrantes brasileiros no sul da Flórida. A possibilidade de ganhar um bom dinheiro de maneira fácil e rápida, normalmente, acaba se transformando em dor de cabeça.
Quem não se lembra de Antonio Couto Falcão, que deu desfalque em vários membros da comunidade com a ofertas de investimentos e taxas de remessa de dinheiro melhores que a concorrência? Os prejuízos causados pelo falsário, que voltou para o Brasil e deixou uma carta de desculpas às vítimas, passaram da casa dos 300 mil dólares.

Em outra armação na nossa comunidade, o mineiro Vicente Padilha, conhecido pelo apelido de Vinnie, é acusado de desvio de oito milhões de dólares e está sendo procurado até pelo FBI. O golpista, que conseguiu escapar para o Brasil, induziu pessoas honestas a irregularidades na área imobiliária. Marco Spadini Barbosa e Gustavo do Vale, de Coconut Creek, não tiveram tempo de fugir: foram presos por agentes federais sob a acusação de comércio de passaportes roubados. Segundo informações, eles roubavam passaportes válidos de brasileiros para repassá-los a outras pessoas.

“O sul da Flórida tem sido um terreno fértil para estes tipos de escândalos e golpes financeiros, porque aqui há muitos idosos e imigrantes.
Estes são alvos fáceis nas mãos de estelionatários porque possuem reservas de dinheiro, são ingênuos e muitas vezes não falam inglês”, alertou o advogado Max Whitney.

Esquema de passagens aéreas rendeu 50 mil dólares

No filme ‘Catch if you can’, que conta a curiosa história real do falsário Frank Abagnale, o personagem interpretado por Leonardo Di Caprio costumava se disfarçar de piloto de uma companhia aérea para conseguir viajar de graça. Entre os brasileiros, porém, há um vigarista similar: um rapaz, identificado como Rodrigo Fragozo, está sendo investigado por golpes que totalizam 50 mil dólares – uniformizado de comissário da TAM, ele vendia passagens com desconto porque supostamente precisava de dinheiro para custear um tratamento para sua mãe. Pelo menos duas pessoas que moram aqui nos Estados Unidos foram lesadas.

Rodrigo tem passagem pela polícia por estelionato, roubo de cheques e cartões. Segundo uma das vítimas, ele é sergipano, mas costuma rodas o Brasil com o objetivo de aplicar seus golpes. Os alvos preferenciais são imigrantes e seus familiares, que costumam comprar passagens com grande antecedência. A TAM informou que está investigando o caso.