Manifestações antiguerra marcam o final de semana nos EUA

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Protestos contra a guerra no Iraque levaram cerca de 15 mil pessoas às ruas de Portland, no Estado americano do Oregon, neste domingo, segundo os organizadores. Foi uma das maiores demonstrações antiguerra deste fim de semana nos EUA.

No sábado (17) e no domingo (18), várias cidades nos EUA e no mundo presenciaram manifestações populares contra a ocupação no Iraque, que completa quatro anos nesta semana.

Shiho Fukada/AP

Mulher com cartaz que pede paz participa de protestos contra a guerra em Nova York
“Esta é uma guerra para estabelecer a hegemonia americana”, disse a professora de ensino médio Susan Hay, que participou da passeata em Portland com o marido e dois filhos.

Manifestações antiguerra –pacíficas na maioria das vezes– reuniram cerca de 3.000 pessoas em San Francisco e mil em Nova York, perto da sede da ONU (Organização das Nações Unidas). No sábado (17), houve protestos em Los Angeles, San Diego, Washington e Hartford (Connecticut).

No final da marcha de uma hora em Portland, um pequeno grupo entrou em confronto com a polícia. Cerca de 12 pessoas foram presas. A certa altura, a polícia chegou a usar spray de pimenta nos manifestantes.

Algumas pessoas disseram que a polícia reagiu em excesso. “Eles mostraram muita força”, disse Jake Fagan, 21, que disse que perdeu dois amigos no Iraque “Mas nós estamos apenas tentando caminhar”.

O presidente dos EUA, George W. Bush, passou o fim de semana em Camp David, em Maryland.

“Nossa Constituição garante o direito de se expressar pacificamente um ponto de vista. Os homens e mulheres das nossas forças militares estão lutando para levar aos iraquianos os mesmos direitos e liberdades”, disse o porta-voz Blair Jones.

San Francisco

Em San Francisco, dúzias de policiais bloquearam o tráfego e ficaram de olho na multidão que ocupou o distrito financeiro. “Acho que o esforço de guerra neste momento é fútil”, disse Gary Fong, 65, ex-oficial da inteligência militar.

“Nós queremos fazer nossa parte para mostrar a Bush e ao governo que mudanças devem ser feitas”, afirmou o manifestante.

Um porta-voz da polícia disse que o departamento não estimava número de pessoas na cidade californiana, mas que pareceu haver pelo menos 3.000 manifestantes. “Dinheiro é para empregos e educação, não para guerra e ocupação”, gritavam as pessoas.

Alguns manifestantes que apóiam a guerra agitavam bandeiras americanas. “É preciso garantir que os sacrifícios que já fizemos tenham valido a pena”, disse Leigh Wolf, 20, uma estudante universitária. “Esta é uma guerra que ainda podemos vencer”.

Nova York

Em Nova York, a passeata ocupou vários quarteirões e teve a participação de veteranos de guerra. O ator Tim Robbins disse aos manifestantes que conseguir que o Congresso corte fundos para a guerra “seria uma boa maneira” de trazer as tropas para casa.

“Os americanos querem que esta guerra termine”, disse o artista, que participa freqüentemente de protestos antiguerra. “É a mensagem que enviaram nas eleições `para o Congresso, vencida pelos democratas` em novembro. Quando vamos começar a escutá-los?”, perguntou.

Os cartazes dos manifestantes levavam frases como “Impeachment para Bush” e “Nem mais um dólar, nem mais uma morte”.