Manifestantes incendeiam e promovem quebra-quebra nas ruas de Ferguson, Missouri

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Estopim foi o não indiciamento do policial que matou um jovem negro em agosto

DA REDAÇÃO COM AGÊNCIAS

Manifestantes incendeiam e promovem quebra-quebra nas ruas de Ferguson, Missouri

Centenas de manifestantes saíram às ruas em Ferguson, Estado de Missouri, após a decisão da Justiça de não indiciar o policial que matou o jovem negro Michael Brown, de 18 anos, em agosto. Na manhã desta terça-feira (25), lojas apareceram incendiadas, vidros quebrados e um rastro de destruição na cidade. Vinte e uma pessoas estão presas por estarem envolvidas em atos de vandalismo. Os protesto se espalharam por várias cidades dos Estados Unidos.

O adolescente foi morto por Darren Wilson durante uma ação policial. Segundo a versão oficial, ele reagiu à abordagem e foi atingido por pelo menos sete tiros. Brown não estava armado, de acordo com as investigações. O júri entendeu que Wilson agiu em legítima defesa.

A morte do jovem causou uma onda de protestos e reacendeu tensões raciais. Os protestos desta segunda-feira (24) foram os maiores já registrados em decorrência do caso.

Entenda o caso
Pouco depois de o procurador do condado de St. Louis, Robert McCulloch, ter anunciado o veredito do júri registaram-se os primeiros distúrbios na Avenida West Florissant, em Ferguson, epicentro da onda de distúrbios raciais desencadeada pela morte, em 9 de agosto, de Michael Brown, de 18 anos, baleado pelo agente Darren Wilson.

Horas depois do veredito ter sido divulgado, doze edifícios estavam em chamas na pequena cidade de Ferguson que decidiu não imputar qualquer acusação, devido à falta de fundamentos suficientes, ao agente que baleou o jovem desarmado.

“Nos próximos dias – os agentes – terão de trabalhar com a comunidade, não contra ela, e distinguir o reduzido núcleo de pessoas que poderão usar a decisão do grande júri como desculpa para a violência”, afirmou o presidente Obama, em breve anúncio, apelando à calma e à contenção, em linha com a mensagem dos familiares do adolescente negro morto a tiro em agosto.

Em Washington, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que atiraram pedras e garrafas. As autoridades também relatam a ocorrência de confrontos, pilhagens e atos de vandalismo, incluindo vidros partidos e viaturas incendiadas.

A zona de Ferguson encontra-se sob alerta máximo, com o FBI e a Guarda Nacional preparados para intervir face à possibilidade de os protestos, convocados para esta noite, se tornarem tão violentos, como os que se verificaram após a morte de Brown.

O governador do estado do Missouri, Jay Nixon, decretou estado de emergência.

De Seattle a Nova Iorque, passando por Chicago e Los Angeles, milhares de norte-americanos saíram para as ruas na noite de segunda-feira e a onda de indignação se espalhou por todo o país.

O painel formado por 12 jurados, incluindo três afroamericanos, fez uma instrução “completa e profunda”, ouvindo mais de 60 testemunhas ao longo de 70 horas, examinando centenas de fotografias e outros elementos incriminatórios e escutou três médicos legistas. “Não há dúvida de que o agente Wilson causou a morte” de Michael Brown, declarou o procurador, falando em “morte trágica”.